À flor da pele

28 O bom amigo


Notas iniciais
Obrigado Camila e Juh por me betarem =) Vocês são demais! Boa leitura!

Diana

Terry estaciona na rua. Tem alguns carros chegando, mas eles não estacionam por ali, vão para dentro da propriedade, onde há alguns seguranças.

A música alta chama atenção e, para minha alegria e surpresa, não é nada que meus ouvidos rejeitem. O som suave do violão dá ritmo ao homem de voz mansa. Parece indie... Folk , algo assim. Não sou muito fã de música, prefiro a melodia do silêncio na maioria das vezes. Mas essa é boa, admito! E é a cara do Theo...

– Você nem entrou e já tá arreganhada. — Terry comenta, o que me faz diminuir instantaneamente o sorriso.

Ela tá tão engraçadinha hoje. Acho que é pelo que aconteceu ontem, quer me fazer sorrir. Ou...

– E o Harold? — Pergunto, enquanto caminhamos para a entrada da propriedade.

Ela me dá uma olhadinha e sorri.

– Ele me ligou de manhã, para dar bom-dia e saber como eu estava...

– O quê? Quando que eu não vi?

Escuto nossos saltos, ritmados, batendo no chão. Em algum momento desse dia, acho que apenas aceitei meu destino amaldiçoado e agora, me sinto até que bem. Acho que aceitei que coisas boas não vão acontecer, por hora, e o fato de ter as expectativas diminuídas, não me deixa ter ilusões. De uma forma, talvez distorcida, isso me causa um pouco de paz.

Claro, pode só ser ansiedade e surpresa por entrar nesse mundo novo.

– Quando fui fazer o café... — Ela levantou e disse que ia fazer o café e então demorou um bocado no andar de baixo.

– O que vocês falaram?

– Não muito, mas ele combinou o encontro de segunda.

– Encontro? — Praticamente dou um pulinho.

– Modo de dizer, Diana! — Ela diz, batendo em meu ombro com o seu. — Vou ver a casa dele, tirar as medidas e o idiota do Junior vai estar junto.

Junior sempre vai às primeiras visitas, Dony não gosta de nos mandar sozinhas para casa dos clientes, acha perigoso. Mas, Junior e nada...

Quando chegamos ao portão, um dos seguranças, um careca superalto e musculoso, pergunta nossos nomes. Assim que damos, ele verifica em um tablet e então sorri.

– Divirtam-se! — Ele diz e faz gesto para seguirmos.

– Obrigada! — Respondo.

A entrada é um longo corredor entre árvores, nos galhos há lâmpadas brancas que dão uma iluminação muito bacana e original. Quando chegamos perto das luzes que iluminam as imponentes paredes da casa, somos recebidas por outro segurança. Ele pede licença e passa em nossa volta um detector de metais, então nos libera com um aceno.

Me pergunto o tipo de ameaça Theo pode ter sendo quem é. Ele é rico, dono de um negócio milionário, isso deve gerar inimigos. Mas, ele é tão encantador e gentil que se torna impossível imaginar alguém tentando lhe fazer mal. Bem, talvez as ex-namoradas...

E por falar em ex, pelo menos espero, assim que subo as escadas bonitas de mármore, encontro uma loira alta, usando um uniforme de policia e saltos altos. Amy. Ela está fantástica. Que ódio dessa garota e sua perfeição! Pra que uma pessoa precisa ser perfeita em tudo? Podia ao menos o cabelo ser ruim ou não ter bunda... Mas não, ela tem tudo, um pacote completo!

As portas grandes e largas da mansão estão abertas e a motorista do Theo, que não parece estar em serviço hoje, está grudada a uma freira. Uma bem sexy, devo dizer, o vestido dela para nas coxas e ainda tem uma fenda. Nas pernas longas botas de cano alto. As mangas do vestido são bufantes e só não chama mais atenção porque o decote faz esse serviço. No cabelo, ela usa aquele véu negro com a volta do rosto branco. Não sei o nome disso, embora tenha feito um ano de estudo em colégio católico, não aprendi, ou pelo menos não quero lembrar, Maus tempos.

Mas eu era a queridinha das freiras!

Amy e a outra garota estão em um tipo de hall de entrada. Decorado com as mesmas luzes de fora, impossibilitando dar uma opinião sobre a cor das paredes. Quando nos aproximamos delas, por iniciativa da Terry, porque queria fingir que não a vi, descubro que a freira é a Jane e ela logo nos vê.

– Que bom que vieram! — Ela se afasta da sexy policial e nos abraça ao mesmo tempo. — O Theo não para de perguntar de vocês! — Ela completa e sinto um beliscão no braço. Terry.

– Oi, Jane. Você tá incrível! — Ela sorri e se coloca entre Terry e eu, segurando nossos braços e nos puxando além do hall.

Amy apenas acena para nós. Ela não parece feliz. Talvez ela saiba que eu beijei o namorado dela. Ou Ex. Ou sei lá qual a relação que eles tenham. Talvez ela só esteja brava por não ter participado? Eu não entendo esses casais de hoje em dia, é tanta modernidade, que me perco. Não sei se é o caso deles. Talvez sejam meramente empregada e patrão! Ou, empregada e patrão com benefícios.

Afasto os pensamentos. Não quero pensar nisso.

Quando passamos o arco do hall, somos levadas para um mundo diferente. A sala em que entramos consegue ser maior que o apartamento do Theo e longos tecidos estão ligados a um lustre grande, caindo até o chão e formando várias cortinas brancas. No chão uma leve fumaça, que ganha uma aparência fantasmagóricas algumas vezes, pela mudança da cor da luz.

Me sinto em um novo mundo.

– A mesa de presentes meninas!- Jane diz, parando em frente a uma mesa de vidro repleta de presentes e decorada com flores em cima, embaixo, dos lados. Um pouco exagerado talvez... E também tem as luzes, que estão por todos os cantos. Pessoas epiléticas devem ter sido deixadas de fora da lista de convidados.

Terry deixa sua caixa com o kit de churrasco ali e eu coloco a minha caixa vermelha em um canto, sobre um embrulho grande, bem no fundo.

O lugar está cheio, embora a primeira vista não aparente. É que o lugar é tão grande que dá uma impressão de vazio.

Entre as cortinas de seda vindas do teto até o chão, há uma pista de dança. Mas nenhuma pessoa dançando. E a parte mais constrangedora de tudo, é que nós estamos realmente em uma festa de empresa. Com exceção da decoração e um ou outro convidado, as pessoas são velhas, pomposas. As mulheres usam vestidos elegantes e tem máscaras na mão. Os homens engravatados. Alguns, muito poucos, usam máscaras também, acho que vi dois de tapa olho, e só. Acho que ninguém entrou no clima, realmente, do tema proposto.

– Não faço a menor ideia onde o Tyler ou o Theo estejam. — Jane diz, nos puxando em direção a portas grandes de vidro, nos levando para o jardim, onde as luzes coloridas estão em menor número, mas há lâmpadas de LED, minúsculas, espalhadas nas árvores, nas mesas e nas... Uau! E nas tendas. Há centenas delas espalhadas pelo longo jardim. Uma piscina no centro de tudo, com aquelas velas em formato de flor, acessas, dentro. Do lado esquerdo da piscina, entre as tendas, de tecidos brancos esvoaçantes, há um bar e do lado oposto uma mesa de doces. Garçons vestidos de calça e coletes pretos, usam uma máscara prateada que só deixa a boca e os olhos de fora.

Eles deslizam entre os convidados com bandejas de bebidas e canapês. Pelo menos é o que acho.

Jane continua nos empurrando, entre as tendas agora. Caminhamos e então vejo uma que está movimentada, com algumas pessoas ao redor. E é justamente para esse fervo que ela nos empurra.

– Theo tai? — Ela pergunta sobre o ombro de algumas garotas. Dessa vez nada de pessoas velhas. Eu diria que as “novinhas” é que estão aqui. Os vestidos curtos e fantasias mais despojadas me fazem entender que vários "amigos" foram também convidados

Olho para as pernas de uma Branca de Neve, aliás, quase posso ver a bunda dela. Acho que ela não assistiu inteiro ao desenho, só viu a parte que passa a metade de cima da princesa, porque está faltando uma saia ali...

– Theo? — Jane chama, nos soltando e empurrando uma garota vestida de... Prostituta? Até parece que Tyler escolheu a roupa desse grupo!

– Ele entrou! — Uma voz masculina responde do mar de bundas.

Então as garotas começam a sair algumas se afastam do grupinho e um cara alto, de cabelos escuros surge desse meio. Ele não dever ser mais velho que o Tyler e seus olhos são de um azul tão bonito. Ele está fantasiado, acho, que de mosqueteiro, ou guarda da coroa. Ele usa calças apertadas por cima de uma camisa branca com babados no pescoço e um sobretudo azul, com vários padrões circulares estampado em um azul mais escuro. Botas até joelho, por cima da calça, completam o visual.

Olha, esse é um cara bonito.

– Essas são Terry e Diana, são amigas minhas, vou deixar elas com você enquanto procuro o Theo.

O cara concorda e antes que eu possa dizer algo a Terry, ou Jane, ou a ele, mãos fortes se apoiam em minha cintura e sou puxada para trás com tudo.

Dou um tapa nas mãos em minha cintura e quando me soltam, me viro.

Meu coração para momentaneamente e toda a culpa reprimida começa a transbordar de mim.

– Que diabos é isso que está vestindo? — O padre, de cabelo bagunçado, pergunta.

– Oi, Ty...

Meu amigo ou ex, não tenho certeza, passa a mão pelo cabelo. Hoje decidiu não usar gel, ou seja lá o que for aquilo que ele passa. O cabelo ondulado está armado e ele usa uma bata até os pés.

– Não foi isso que eu escolhi. — Ele estende a mão e afasta um pouco o meu blazer, estudando o corpete. — O que é isso, Diana? — Ele continua me estudando, me sinto nua e malvestida.

– Você se esqueceu de mandar a outra metade da roupa. — O provoco.

– Eu estou surpreso! — Ele diz e leva uma mão ao peito. — É da Terry? — Ele aponta do corpete.

– Não, é o que você me deu! — Digo revirando os olhos. Se ele vai fingir que nada aconteceu e está tudo bem, quem sou eu para reclamar? Sinto até um alívio.

– Eu o quê, queridinha?

Ele cruza os braços e me encara, finalmente olhando em meu rosto e não em minha roupa.

– Me deu? Ah, não começa com essas brincadeiras, Tyler.

Ele continua me olhando, curioso, surpreso, não tenho certeza. Só sei que estou aliviada em não estar discutindo sobre meus defeitos “mentais” e o quanto ele está desapontado comigo. Só preciso de um abraço para me sentir inteira de novo, mas isso não pedirei. Ele pode ficar hostil de repente...

– Eu me lembraria se tivesse te dado isso, Di!

Ele engancha em meu braço e me puxa. Começamos a andar em direção ao bar.

– Onde achou isso?

Ele está brincando, certo? É claro que foi ele que me deu! Quem mais poderia fazer isso?

Puxo o blazer, tampando a peça.

– Estava na minha varanda, semana passada, quando fomos ao Sherazz.

– Ah, por favor, se eu quisesse te dar isso, teria dado no bar, na frente do Theo e da Jane, para te constranger. Você tá saindo com alguém e me escondeu, não é?

Nisso ele tem razão, se quisesse me dar isso teria sido de uma forma bem escandalosa.

– Não estou saindo com ninguém. Isso estava lá e pensei que fosse você. — Essa história de estar saindo com alguém, de novo... Mas que inferno!

– Bem, parece que tem um admirador secreto... — Paramos de frente ao bar e Tyler pega duas taças de uma pirâmide e me entrega uma.

– Ou talvez seja do Dalua.

Dalua é o apelido que Ty e eu demos para um cara que manda cartas para meu endereço todos os meses. São poesias, versos de músicas e algumas vezes desenhos. Ele desenha bem, admito.

As cartas estavam amontoadas na caixa de correio quando comprei a casa e elas continuaram chegando, mês após mês. Eu até queria responder, dizer que a propriedade havia sido comprada e que a antiga dona, para quem as cartas eram enviadas, pelo menos é a minha teoria, não estava mais lá. Mas, nunca houve um remetente. Elas tinham apenas meu endereço. Eu as guardo hoje em dia, caso o escritor ou a pessoa que deveria receber, apareça. A princípio, eu parei de abrir-las depois dos primeiros meses, quando percebi que não eram para mim, mas... Tyler não tinha o mesmo pensamento. Ele as abriu, uma a uma e leu. Riu e fez suposições. De acordo com ele, deve ser de algum garoto virgem, magricelo e de cara cheia de espinhas, que se apaixonou pela professora ou colega de trabalho.

– Du-vi-do! — Ele gargalha. — O cara manda desenhos e poemas, coisa mais pobre! Você acha que vai ter grana para comprar uma peça dessa? Querida, só de olhar eu sei que é algo fino! Precisamos de uma lista de possíveis admiradores.

– Eu não tenho essas coisas, Tyler. Você é o único homem da minha vida, tem certeza que não mandou?

Ele suspira, irritado.

– Estou dizendo que não, estúpida!

Ele me leva para andar entre as tendas, não falando com ninguém no caminho. Ele parece estar feliz de me ver aqui e isso deve ser por ele não gostar da família do Theo. Pelo menos foi o que ele disse quando lhe perguntei, dias atrás, como eles eram.

– Olha, Tyler, sobre ontem...

– Não.

Ele me corta. Eu gostaria de esclarecer tudo e tentar acertar as coisas.

– Hoje nós vamos dar uma trégua, Diana. Porque... — Suspira de novo e se tem uma coisa que aprendi em todos esses anos é que, um Tyler suspirante não significa coisa boa. — Eu preciso ter um tempo bom, pelo menos por hoje. Ok?

Por hoje apenas...

Minha barriga até dói por esse prolongamento que ele está pedindo.

Ok.– Concordo, mas discordando internamente.

– Então – Ele diz depois de dar um gole em sua bebida. — O que achou da decoração?

– Que você tem um péssimo gosto! — Digo rindo. — Minha cabeça está doendo por todas essas luzes e eu acabei de chegar.

Ele gargalha. Eu gosto desse som. Gosto muito e espero que tudo fique certo entre nós, porque não poderia ficar bem sem isso.

– E quem disse que sou responsável por isso?

– E eu não te conheço, Tyler Becker?

Ele sorri e então fica sério em seguida.

– Sabe, tem alguém que quero que conheça. Um amigo.

E o calafrio está de volta. Cada vez que ouvi essa frase da boca de Tyler, o senti. Acho que isso é um tipo de premonição e nunca percebi.

– Eu estou feliz sozinha.

– Eu não disse para sair com ele. — Ele se defende. — Só acho legal você ter mais amigos, Diana.

– Eu tenho mais amigos. Eu tenho o Theo, a Terry, a Jane?

– É verdade, esses são amigos. Então... – Ele me leva para dentro da casa, onde aquelas luzes incômodas fazem uma dança maluca por todos os lados. — Tá, eu admito! É para algo mais. Mas, veja, tenho certeza que dessa vez você vai gostar, porque é alguém que nunca te apresentaria e isso o fez entrar no radar.

O que houve com o “Você não quer transar com o Theo?” Ou algo do tipo. Pelos menos eu acho que ele disse algo assim na noite do fondue, mas, estava bêbada. Difícil afirmar com segurança.

– Eu pensei que estava me empurrando para o Theodor. — Comento, como quem não quer nada.

– Jane está, não eu. Fique claro isso, ok?

Olho para ele. As insinuações sempre aconteciam quando íamos encontrar Jane ou ela estava presente. Agora as coisas estavam fazendo sentido. Menos a parte que ele manda mensagens para o Theo em meu nome.

– A Jane achou que tínhamos um caso?

Ele suspira de novo. Assustador isso...

– Ela achou e eu tive que fazê-la mudar de ideia.

Me empurrando para o irmão dela.... Será que Ty nunca vai para de brincar comigo, como se fosse a boneca dele? E ainda, porque parece tão desagradado em relação a Theo e eu juntos? Será que ele me acha tão inapropriada para o Theo, assim? Não que esteja interessada, é só curiosidade.

– Tá... Mas... — Ele para e me olha, me interrompe.

– Você jantou com ele, tô sabendo. Você tá sabendo, ele tá sabendo e acho que até a vó dele tá sabendo. — Me sinto corar, mas não desvio o olhar do dele. — Ele não é pra você Diana. — Será que foi isso mesmo que ele quis dizer? Será que não era algo tipo... O contrário? — Me escuta, ok? Theo é exatamente o tipo de cara que te apresentaria e se não gostasse tanto de você, teria feito isso anos antes. E tenho certeza que ele partiria seu coração, é um perfeito cavalheiro, mas é um galinha. — Ele fala tão sério que me sinto com 15 anos de novo, levando uma bronca da minha mãe por tirado um B e não um A em álgebra. — Ele não acredita em relacionamentos e o fato de você ser minha amiga, só torna as coisas ainda mais complicadas.

– Eu posso compreender isso. — Digo e ele sorri em aceitação pela minha obediência. — Mas, agora estou curiosa. Por que sermos amigos influenciaria nisso?

– Diana...

Estamos parados no meio da pista de dança. E só nós, ninguém parece animado para tentar e nem nós, na verdade.

– Oh, meu deus! — Encaro meu melhor amigo. Aparentemente não temos sido tão honestos assim um com o outro. — Você comeu a namorada dele e ele te odeia? Você dormia com ele e um belo dia o trocou pela irmã e agora ele quer vingança? — A beleza em ser amiga de Tyler, é que ele vai dizer tudo. As coisas mais constrangedoras e malvadas, mas, ele não vai se importar em receber a mesma moeda de volta. Não que eu faça isso, mas me sinto à vontade com ele e posso falar sobre qualquer coisa. Mostrar um lado que eu não deixaria ninguém mais ver, como agora. Para que outro cara teria coragem de perguntar se está dormindo com um homem? — É por isso que você toma banho na casa dele?

Me sinto até mais leve agora, por estar de volta a minha relação normal com Tyler. Pelo menos momentaneamente.

– Você é curiosa demais, por isso não te conto as coisas. — Ele diz de cara feia.

– Você me esconde coisas, por isso fico curiosa.

– Vadia! — Ele me diz e olha à nossa volta. — Eu o conheço por dez anos, mas só recentemente, nos últimos quatro anos, mais o menos, é que nos entendemos.

– Então vocês não eram amigos?

– Éramos. Mas um tipo diferente. Mais por ocasião e precisão do que qualquer outro motivo.

– Parece complicado.

– É complicado e por isso – Ele toma meu braço de novo e voltamos a andar. — Você vai ficar quietinha, de fora e às cegas. Porque é complicado demais.

Me sinto de fora mesmo. É tipo quando a garota mais popular do colégio fez aniversário e convidou todo mundo, menos eu. Até Julie! Quem convida uma criança para uma festa de adolescentes? Mas lá estava ela, três anos mais nova que eu e convidada. Eu fiquei com tanta raiva dela que enterrei o seu urso de pelúcia. Ela chorou por dias quando sentiu falta. Eu fiquei bem quietinha e não contei a ninguém. Nunca.

Bem, é dessa mesma forma que me sinto agora. E Tyler não tem um brinquedo para que eu enterre e me vingue. Aliás, acho que seu brinquedo sou eu.

– Agora... — Ele diz animado. — Deixa eu te apresentar... — Ele se aproxima de um zorro no pé de uma escada de mármore. Uma que eu nem tinha percebido antes. — Oh, Tom... — Ele chama.

Notas finais
Que humor bacana do Ty, né? '-' Será que é isso, ele está de boa com tudo? Sem retalhação? Sei não u.u Quando essa criatura decide ficar quieta... O que acharam das fantasias? Padre o Ty e freira a Jane... Combinou? A sugestão da roupa do Tyler foi da leitora Francine e a do Theo, que ainda não apareceu, sugestão da Forby... Obrigada pela ajuda, suas lindas ;) Bj bjs