À flor da pele
48 Melhores amigos!
Notas iniciais
Theodor
A consciência é algo perturbador. Funciona nos piores momentos.
Diana está mais que colada a mim. Seu corpo se esfrega o máximo que ela consegue e os beijos, então! Nos separamos apenas para respirar antes de voltar a colar nossos lábios uma outra vez.
Está prontinha para mim. Mas não está.
Eu tenho uma irmã que age por impulso sempre que as cosias ficam difíceis. É uma forma de fugir dos problemas. E convenhamos, Diana tem muita coisa em sua cabeça agora.
Não quero que olhe para trás um dia, ou quem sabe minutos depois, e decida que cometeu um erro. Que se precipitou.
Luto contra meus instintos e separo nossos lábios. Sua bunda bonita, nua, está sobre minha mão. Ela nem deve ter notado a situação que se encontra. O vestido dela subiu e boia ao redor do meu braço em sua cintura.
É capaz até mesmo de outras pessoas terem presenciado essa cena. Estamos na área de mergulho.
Escondo meu rosto em seu cabelo, para que ela não me beije de novo. Não poderei recuperar o controle uma segunda vez.
Ando com ela agarrada em minha cintura e pescoço, ofegante.
Subo as escadas com ela, meio desajeitado ao passar pelo caminho estreito, então a deposito com cuidado na espreguiçadeira que eu estava antes. Ela não solta minha cintura, prende as pernas com mais força, me forçando para baixo. Uso meu braço para impedir de soltar o peso sobre ela.
Diana me encara, ansiosa, cheia de expectativa. E eu não sei quanto mais posso aguentar. Quando a convidei para vir comigo, queria sexo, admito. Mas tudo mudou tão drasticamente de um momento para o outro. Tenho medo de assustá-la. É a última coisa que quero.
Desejo vê-la morder o lábio quando está ansiosa, as bochechas corarem porque eu disse algo impróprio, e que provavelmente a excitou, quero que seja ela mesma. A mulher adorável que tem estado em meus pensamentos por meses. Se pressioná-la a ir onde não quer realmente, só vou fazer com que levante obstáculos entre nós.
– Você não me quer. — Ela declara, com evidente mágoa.
– Eu quero. Quero muito, Dia... — Pressiono-me contra ela, para que confirme o que digo. — Mas não tenho pressa.
Encontro seus lábios e dou lhe um beijo casto, então me separo e levo uma mão para suas pernas a fazendo soltar minha cintura. Suas bochechas ficam coradas ao encontrar meus olhos.
Sorrio para ela. Quero que ela se sinta segura comigo.
Escapo da armadilha em que me coloquei e fico de joelhos ao lado da espreguiçadeira. Apenas observo seu corpo. O vestido está levantado, mas antes que eu possa encontrar sua pele, ela estica a mão e o puxa, cobrindo suas partes íntimas.
Toco seu rosto, então os cabelos. Os fios estão molhados, mas pelo banho e não por nossa breve aventura na água. Na verdade, não chegamos a molhar mais que nossas cinturas.
Afasto o cabelo e estudo o hematoma escuro em sua pele, que vai ficar bem pior antes de melhorar. O corte, no entanto, parece melhor, não precisou levar ponto e não tem sangrado desde que chegamos.
– Eu estou feia... Por isso não me quer?
Suas palavras me incomodam. Será possível que ela me vê tão baixo assim?
– Diana... — Suspiro resignado. Como é insegura...– Seria preciso mais que isso para te deixar feia... E muito, muito, para me fazer não querê-la.
Seu semblante, não convencido, me testa. E, como não sou de ferro, acabo por ceder a um dos meus desejos. O de tocá-la.
Levo minha mão sobre sua barriga, sentindo o tecido molhado. Deslizo minha palma, até chegar no V entre suas pernas. Ela fecha os olhos por um instante, absorvendo meu toque.
Será que estou certo sobre meu julgamento? Ela realmente só quer uma distração nesse momento? Porque eu estou louco para ir além...
– Não diga mais essas bobagens, Dia... Você é linda, está perfeita. E sempre quero você...
Seus olhos estão de volta nos meus, com um brilho à parte.
Toco sua bochecha com minha mão livre, acariciando sua pele quente. Um contraste com a parte de baixo. Me inclino sobre ela e toco seus lábios. Ela tenta aprofundar o beijo de imediato, mas me separo. Não quero apressar nada. Estava falando sério antes.
Encosto nossos lábios de novo, apenas acariciando os dela. Depois sugando, enquanto minha mão sobe o tecido do vestido, deixando-a exposta mais uma vez.
Seu corpo fica tenso, se contrai... Pelo jeito eu não estava tão errado.
Descanso a mão em sua coxa e a mantenho ali, enquanto deixo meus lábios ganharem vida junto aos dela. Mas ela não relaxa e sei que é hora de parar.
Me separo dela com muito pesar.
– Sem pressa, amor... Estou feliz pela companhia. — Baixo o tecido de seu vestido e me sento na outra espreguiçadeira. — Então, quer conhecer a ilha?
Ela não responde de imediato, leva um momento para se acalmar.
– Eu... Não acho que estou adequada... — Está falando do rosto ferido. — Você disse que vinha com amigos. Onde estão?
Ela está desconfortável. Não a olho, para lhe dar alguma privacidade, mas sua voz entrega seu nervosismo.
– Não tenho certeza. Patrick deve estar bebendo em algum bar. Thomas trouxe sua filha, então, deve estar na praia. Amy... Certamente fazendo compras. Ela adora comprar suvenires. Quando vou à sua casa, tudo que consigo pensar é em uma velha que guarda entulhos. — Sorrio com o pensar em minha amiga e sua bagunça, teoricamente, organizada.
Finalmente me viro para ela, com um sorriso. Que morre rapidinho. É óbvio que falar de Amy a perturba.
Que burro eu sou!
– Eu não... Imaginei que ela viria. — Ela diz, fitando o mar à nossa frente.
– Ela está em todas, para dizer a verdade. — Ela continua evitando me olhar. Então, sinto necessidade de, mais uma vez, esclarecer. — É como uma irmã para mim, nada mais.
Diana levanta o rosto e estuda o meu.
Maldade minha, mas... É adorável a ver com ciúmes.
– Você nunca me contou como chegou ao seu posto no trabalho. — Muda de assunto de novo. Está com o modo defesa ativado. Vai optar sempre por ir para o lado mais seguro em nossas conversas. É quase como se tivéssemos voltado a ser estranhos. Me pergunto se isso aconteceu por minha causa ou pelo que ela passou...
– Será que foi do zero, como os mocinhos dos livros? Conquistou seu primeiro milhão aos 18? — Ela pressiona, tentando escapar do centro da conversa a todo custo.
– Nada de primeiro milhão aos 18. — Decido lhe dar o espaço que exige com a mudança de conversa. — E nem trabalhei duro pela Companhia Blake. Na verdade, ela foi criada pelo meu avô. Passou para meu pai, que hoje não pode mais estar no comando por problemas de saúde. Então, eu assumi por obrigação. Sinto muito por desapontá-la.
– Como se isso fosse possível, Theo.
Me vejo sorrindo feito bobo para ela.
– E essa cabana? Qual a história? Você disse que é sua. — Me pergunta, enquanto puxa o vestido mais para baixo.
– Ah... Bem, eu posso dizer que sobre isso eu pareço um pouco com um mocinho de livro. Eu consegui um estágio quando mais novo, na empresa do meu primeiro padrasto. E tinha toda essa... Modernidade ao redor.
– Espera... Estágio? Como o de pessoas normais? Ou foi tipo o assistente do chefe?
– Nada de assistente do chefe! — Digo, feliz pela empolgação que ela mostra. — Eu trabalhei duro, ok?
– Pessoas ricas passam por isso? — Debocha, me fazendo revirar os olhos, exatamente como Janet faz quando acha algo que eu falei absurdo.
– Bem, senhorita Weber, está pronta para ser surpreendida?
Ela concorda, relaxada agora e até sorrindo.
– Eu trabalhei cortando grama por um bom tempo no Troia. — Seus lábios se abrem em espanto. — Meu padrasto teve lá seus dias de glória, e nesse tempo, ele era um dos grandes. Tentou me levar para perto dele, me ofereceu um cargo excelente, mas eu não queria isso. Então, passei minhas manhãs como assistente do zelador. Começar de zero era uma questão de honra. Para a maioria das pessoas que convivo, o sobrenome é tudo, ele diz em que casta você fica, quem serão seus amigos e tudo mais. Sua vida é traçada por causa de um nome!
Eu sempre fugi justamente disso. Ter benefícios por ser um Blake. Para mim isso nunca significou nada lá fora, mas para outras pessoas... Portas se abrem, coisas surgem de todos os lados. E a última coisa que eu queria na minha vida, era ser grato a esse maldito homem que se intitula meu pai.
– Então... — Continuo — Decidi que faria do meu jeito. Começando de baixo e merecendo o topo.
Me lembro da reação do meu pai quando viu uma foto minha com um cortador em uma revista de fofoca. Ele ficou tão vermelho que parecia prestes a explodir. E de fato explodiu...
– Cortei grama, trabalhei de garçom, manobrista, até mesmo fiz alguns bicos de segurança. E assim paguei meu curso universitário. Quando precisei de um estágio, meu padrasto me mandou para um dos seus prédios em construção e foi onde tudo começou para mim.
– Isso é sério? — Pergunta surpresa, de boca aberta.
– É. Eu sou incrível.
Ela ri e se senta com os pés tocando o chão.
– Era um estágio de quê?
– Estágio era modo de dizer. Me foi oferecido ser o braço direito do chefe, mas como neguei, acabei pegado café para qualquer pessoa que aparecesse, pagava contas, recebia coisas, encobria casos... — Ela morde o lábio, tentando esconder um riso. — Qualquer coisa que precisassem. E que não envolvesse ninguém nu.
Reclino o encosto da espreguiçadeira e me deito.
– Em que você é formado?
Estendo a mão para ela que, relutante, aceita e senta na beira da minha espreguiçadeira. Não solto sua mão, entrelaço nossos dedos e aproveito o inocente contato.
– Em que você acha?
Ela morde o lábio e sorri antes de responder.
– Direito?
Nego.
– Mais uma chance.
– Ok... Ah... — Administração?
– Você é péssima! — A puxo para perto, fazendo seu corpo se aproximar. Fico esperando que ela fuja quando tira sua mão da minha, mas ela deita, ficando de costas para mim, que por minha vez, abraço sua cintura e beijo seus cabelos.
– Me formei em engenharia civil. Mas só recentemente tenho trabalhado na área.
– Estou impressionada! — Admite.
– Tenho certeza que sim. Eu sou tipo o cara perfeito, não é? — Brinco. Mas não realmente...
– É...– O sussurro é quase inaudível, se eu não estivesse tão perto, teria deixado passar. — Mas o que as cabanas têm a ver com isso?
Suspiro.
– Eu comprei uma casa condenada nos arredores de Atlanta anos atrás. Na verdade estava mais para ruínas... E ali eu construí meu primeiro projeto, que hoje é um hotel. Patrick gostou do que viu e depois de muita conversa e estudo, nós decidimos apostar no setor de hotelaria. Mais tarde Thomas se uniu a nós e agora estamos aqui para tentar comprar esse hotel. Algumas das cabanas já são nossas. Queremos investir em um ponto mais focado em turismo.
– É uma excelente escolha. Esse lugar é fantástico!
– Mas precisa de algumas melhorias.
– Sim, mas acredito que valha o investimento.
Aperto o corpo delicado em meus braços.
– Concordo.
Beijo seu cabelo de novo. Queria beijar outras partes, mas fico feliz com o que tenho no momento.
Fico pensando em como nos encaixamos bem, em como nossos corpos grudados parece algo tão natural e certo.
Quando na vida que eu me contentaria com algo tão simples como deitar abraçado?
O que há de errado comigo?
***
Ficamos deitados na espreguiçadeira até o Sol virar e inundar a varanda. Então entramos, já secos pelo calor, e nos aninhamos no sofá. Diana está encantada com o piso de vidro.
– É a parte mais fascinante! — Ela diz, enquanto se encurva para acompanhar um cardume que passa rapidamente.
– Pensei que eu era essa parte.
– Será que você tem uma cabana só para seu ego também? Não acho que ele vá caber aqui...
– Ha-ha. Para sua informação, esse quarto é apenas seu.
Ela me olha espantada.
– Por quê?
– Achei que... — Ela não está feliz. Não era a reação que eu esperava. Por que não acerto uma hoje? — Talvez você gostasse de ter sua privacidade... Não queria te incomodar.
– Mas sua mala está aqui...
Ela encosta no sofá, mantendo alguma distância de mim agora.
– Só uma delas. Os itens pessoais. Queria estar aqui quando acordasse e precisava de um banho. Você está brava?
Que pergunta idiota! É claro que ela está brava e como já aprendi com a Amy, Jane e minha mãe, perguntar isso é o mesmo que cutucar a onça com vara curta.
Fico a olhando, esperando uma resposta, mas ela volta a se inclinar e olhar a água.
Isso é frustante. Mulheres são frustrantes. E não adianta saber disso, no fim estou sempre atrás delas!
– Diana?
– Eu me sinto... — Ela quebra o silêncio — Eu não sei. Não precisa fugir Theo...
– Não estou, linda... Você passou por muito, só não quero te pressionar.
– Obrigada. — Ela e senta ereta, mas não me olha. — Você é um bom amigo, Theodor.
Puta chute no saco! Fazia tempo que eu não ouvia isso. Amigo? Sério?
– Ah, Diana... Você me deixa maluco. Mulher difícil!
Seguro sua cintura e a puxo para meu colo. Ela não reclama, encosta sua cabeça em meu peito e prende meus braços com os seus.
– Eu quero você...– Ela sussurra. De novo. Parece uma criança nesse quesito, não consegue dizer o que quer alto e claro. Só não sei se é pela sua própria insegurança ou se sou eu que, de alguma forma, a diminui e forço a se sentir e agir assim.
Como um cara com uma longa lista de relacionamentos que deram errado, começo a suspeitar que o problema sou eu.
– E eu preciso de você...– Sussurro de volta.
Ela me surpreende ao começar a rir.
– Isso é tão extremo!
– O quê? — Fico confuso pela quebra do clima.
– Eu preciso de você! Ah, Theo, será que por acaso você é um daqueles ricaços malucos que escolhem vitimas aleatórias para infligir dor e sentir algum tipo de prazer através disso? Eu sou, tipo, a nova vítima que você tem observado de longe, por muito tempo, e por isso se sente assim tão ligado?
Na mosca! Com exceção da dor!
– O que você anda lendo, Diana?
Ela gargalha, e é um som tão gostoso de ouvir.
Me sinto em uma montanha russa com ela. Cheia de altos e baixos. Essa mulher teimosa e indecisa tem o poder de me acalmar ou me levar ao inferno om um estalar de dedos.
Me pergunto o que ela acharia se eu contasse que tenho a observado a mais tempo do que nos conhecemos. Se assustaria? Fugiria?
Às vezes acho que sim. Em outras tenho certeza que não.
Tem ocasiões que acho que ela é a única que me entenderia. Esse meu desejo por controle... Parecemos partilhar os mesmos sentimentos.
– Você tem certeza que não quer dar uma volta? — Pergunto mais uma vez, estou com dó de mantê-la aqui dentro. Tem todo um paraíso lá fora, várias coisas para fazer e ela não quer sair. O que aconteceu ontem não deve, de forma alguma, influenciar suas decisões de agora.
– Não, estou bem aqui. Mas se quiser sair, não se prenda por mim.
Suspiro. Essa é, provavelmente, a única coisa que eu mudaria nela.
– Diana, você quer ficar sozinha?
Ela leva um momento para responder.
– Não...
– Então não me empurre pra longe. Porque a única forma que saberei o que você quer, e como devo agir, é se me disser, de verdade, o que quer.
Fica em silêncio, pensando, imagino.
– Ok...– Responde depois de um longo tempo.
– Ótimo! Está com dor? — Mudo de assunto.
– Sim. — Diz de imediato. — Nas costas, braços, pernas, na minha cabeça, tudo dói!
Aperto meus braços a sua volta e beijo seu pescoço, ainda roxo da última vez que lhe beijei ali.
– E aqui...? — Deslizo a mão aberta até abaixo de sua barriga, antes de chegar realmente a sua parte íntima.
– Ah... — Ela coloca a mão sobre a minha a sobe para a barriga, onde estava antes. — Eu... Um pouco.
– Sinto muito.
Voltar ao tema de sua virgindade perdida não é a minha intenção. Mas me preocupo com seu bem-estar.
– Eu acho que... Ah... Nossa, isso é tão constrangedor!
Não respondo. Se ela quiser deixar o assunto morrer, então que seja.
– Te devo um pedido de desculpa. — Diz então.
Continuamos na mesma posição, abraçados e em silêncio por um momento. Não esperava um pedido de desculpas.
– E eu te devo um de agradecimento... — Mordo o lóbulo de sua orelha antes de sussurrar — Obrigado pelo presente, linda...
– Meu deus!– Sussurra outra vez. Deve estar tão vermelha quanto um tomate.
– Eu acho que quero beijá-la agora...
Ela respira fundo e então levanta o rosto corado, me oferecendo os lábios. Mas assim que os meus tocam os dela, uma batida na porta nos interrompe.
Ela se separa de mim tão rápido que até poderia pensar que quem está a minha porta é minha esposa, pronta a me pegar tendo um caso. Exceto que eu não tenho uma esposa e Diana é o mais perto que tenho de um relacionamento oficial em anos.
Me levanto, recupero o roupão de mais cedo na varanda e vou atender a porta.
– Deve ser um dos caras. — A tranquilizo e ela volta para o sofá, puxando o vestido, como se o gesto fosse fazer ele ganhar centímetros a mais..
Do lado de fora, não é Patrick ou Tom. Menos ainda Amy.
A pequena figura, de pele bronzeada e cabelos ondulados, rebeldes como os da mãe, está parada me estudando.
Abigail Müller, mais conhecida como Abby, me encara com os olhos verdes. Ela é tão baixinha que eu desisti de chamá-la pelo nome ou o apelido.
– Hey anãzinha! — Me inclino e entendo os braços para a menina, que vem sem pestanejar e embrulha as pernas pequenas na minha barriga.
– Já posso conhecer a sua namorada? — Ela passou a viagem toda falando sobre isso, mas Diana estava medicada e dormia.
– É... Acho que você já pode... — Não a corrijo. Até porque gosto de pensar em Diana dessa forma...
Entro com a menina no colo, estranhando que não tenha nenhum adulto logo atrás.
– Você fugiu do seu pai de novo, não foi?
Ela sorri e leva à mão a boca. Mentir é feio, sempre falamos isso para ela, então, desde os quatro anos, ela pegou essa mania. Invés de mentir, tampa a boca e fica quieta. Esperta, não?
– Diana, quero que conheça alguém muito especial.
Dia, que ainda está no sofá, me olha assustada.
– Não é minha! — Digo de cara. Só por via das dúvidas.– Essa aqui é a Abigail, filha do Tom.
Deixo a menina pequena no sofá, ao lado de Diana e fico as estudando, trocando olhares minuciosos.
– Olá Abigail... Eu sou Diana.
– Você bateu nela, tio? — A menina me olha, com os olhos grandes e preocupados.
– Oh, não! — Diana é que responde. — Eu caí da escada, e bati meu rosto.
– Dói?
Me sinto sobrando e me afasto, pegando minha mala e separando algumas roupas, então vou ao banheiro me trocar. As duas mal percebem que me afastei.
Diana
– Você vai casar com o tio Theo? — A pergunta me pega desprevenida. Eu não esperava uma criança aqui. Mesmo com Theo me dizendo mais cedo que o amigo havia trazido a filha. Achei que ele me manteria como um segredo sujo. Se bem que eu fui a única que não quis sair.
– Eu... Acho que não...
– Mas você namora ele! — Ela afirma com tanta certeza que quase me convence.
Não estou acostumada com crianças, apenas com o Liam, mas ele é tão encantador e diferente dos outros da sua idade.
Fico um pouco perdida por estar sendo questionada a respeito de minhas intenções com o Theo, por uma garotinha que usa um maiô amarelo com o desenho do Bob Espoja...
A menina parece uma boneca. Uma daquelas latinas, sua pele bronzeada lhe dá uma beleza única. Os olhos são um show a parte. Herdou do pai.
– Ah... Acho que somos só amigos, na verdade...
– Mas estão no mesmo quarto! — Agora ela está horrorizada e sua voz fina e infantil soa um pouco estridente pelo choque.
– Muito amigos? — Meu deus, uma criança conservadora!
Suas pequenas sobrancelhas se estreitam e ela se inclina um pouco para meu lado.
– Melhores amigos?
– Eu diria que sim...
Então ela sorri.
– Entendi! Minha melhor amiga, a Anna, também dorme comigo às vezes. Ela tem medo de escuro. Você também tem?
– É... Tenho sim.
– Eu posso dormir com você quando quiser! Eu não tenho medo! — Ela diz orgulhosa. — Papai me deu uma lanterna e ela é mágica, afasta todos os monstros!
– Isso é... Bom...
E outra batida na porta.
Me levanto.
– Só um minuto... — Digo a ela.
Puxo meu vestido para baixo. Ainda não coloquei roupas íntimas. Ando descalça até a porta e a abro. Do outro lado está um rosto familiar, pele negra, olhos verdes, como os da pequena no sofá.
– Olá, Diana. Está melhor? — Tom pergunta, todo educado e pomposo em sua camisa e bermuda branca, contrastando com sua pele. Devo admitir, está um gato.
– Oi... Estou bem. Obrigada.
– Escuta, será que você viu... — Ele nem termina a frase, a pequena Abigail passa por mim e se lança em suas pernas, o abraçando. Ela e tão pequena, não deve ter mais que cinco ou seis anos. — Abby, o que eu disse sobre sair sozinha?
– Mas eu queria conhecê-la...
– Desculpe o incômodo. — Ele diz e pega a menina no colo.
– Imagina... Ela é adorável.
– E terrível! — Ele completa. — Espero vê-la no jantar.
Ele fica parado, me observando, a espera de uma resposta.
– Veremos, Thomas. — A resposta vem de Theodor, que aparece atrás de mim e circula minha cintura com seu braço. Não perco o olhar de Abigail em sua mão.
– Vocês verão coisa nenhuma. É ação de graças, Theo! Espero vocês!
E então se afasta.
– Tchau Abigail! — Digo.
– É Abby! — A menina grita e então abraça o pai.
Theo espera até que entrem duas cabanas depois da nossa, então fecha a porta.
– Então... — Theo me vira, pressionando-me contra a porta. — Jantar de Ação de Graças?
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