À flor da pele
40 Leve-me para o abismo
Notas iniciais
Diana
Quando chegamos em minha casa, Theo me ajuda a descer do carro.
Geralmente eu mesma abro a porta quando estou com outras pessoas, mas acho muito atencioso de sua parte, então o espero. Faz com que me sinta mais feminina.
Entramos e ele tranca a porta atrás de mim.
– Já volto. — Digo e vou para a cozinha. A porta da lavanderia está trancada, a abro e entro, encostando em seguida.
Não posso ir para meu quarto com essas roupas. Sinto até mesmo minha calcinha úmida. Embora, talvez, não seja pela grama molhada que sentei.
Me dispo ali e já coloco a roupa para lavar. Me enrolo em um roupão e pego meu chinelo em um armário.
Agora que meu corpo esfriou da corrida, percebo o frio de novo. E está demais.
Odeio o inverno. Parece que nada ajuda a esquentar.
Saio da lavanderia e encontro Theo na sala. Ele não está sentado no sofá. O que é muito bom, já que ele também estava na grama úmida e suja.
– Banho... — Digo, então noto em sua mão a bolsa de ginástica de mais cedo. — Já está partindo? — Sinto uma certa decepção, que por acaso se faz audível em minha voz.
Ele sorri e nega.
– Queria saber se posso usar seu banheiro para um banho. Posso esperar que acabe o seu. Ou não... — O sorriso se alarga. E por meio minuto considero um banho com ele. Mas isso não pode acontecer. Seria totalmente errado e traria complicações irreparáveis.
– Há um banheiro no fim do corredor, lá em cima. Fica ao lado do quarto de hóspedes. Tem toalhas limpas, sabonetes e cremes no armário.
É o banheiro que Tyler usava, por isso está tão bem abastecido. Sinto uma dorzinha no peito em pensar nele.
– Ótimo e depois pedimos a pizza.
Concordo.
Ele desce os olhos pelo meu corpo. Fico tentada a me olhar e ver se fechei bem o tecido ao meu redor. Então faz um gesto para que eu vá primeiro.
Tomo a frente e subo as escadas. Quero correr, mas iria parecer uma criança ansiosa. Invés disso, ando devagar, sentindo seu olhar queimar em minha bunda.
Só volto a encará-lo quando estou de frente para a minha porta. Ele se inclina e deposita um selinho em meus lábios.
Eu poderia viver bem com isso. Com esse tipo de relação. Beijos. Carinho. Companheirismo. Mas não estou pronta para ir além. E nem mesmo acho que estarei algum dia. O que me deixa triste. Theo é o tipo de cara que eu adoraria ter por perto. De verdade. Mas, cedo ou tarde as coisas iriam por água a baixo, como em todas as minhas relações anteriores. Chegaria um momento em que ele iria querer o que não posso dar. Então, tudo desmoronaria. Por isso não devo continuar com isso.
Eu sei que preciso colocar um fim nessa coisa, totalmente indefinida, que acontece entre nós. Antes que estrague até mesmo a possibilidade de sermos amigos. Mas, apesar de saber disso, eu tenho esse meu lado egoísta, que não se importa com a razão. Ele me faz ficar quieta e deixar as coisas rolarem. Isso faz de mim uma péssima pessoa, certo?
É como se eu estivesse só tirando uma "casquinha" dele.
Theo se afasta e vai para o banheiro que indiquei, com a mala na mão.
Não sei o que ele pretende com essa sua bolsa de roupa. Nós não vamos transar, se é isso que espera.
Meu lado racional continua dizendo para mandá-lo embora. Me avisando que isso não é certo, mas tem o meu egoísmo, que sobrepõe o que é correto. No entanto há uma coisa certa em minha mente, não vou até o fim. Eu não acho que me perdoaria por ceder em um momento de confusão e extremo desejo carnal.
Nunca faço o que devo quando se trata de Theodor Blake. Me torno uma adolescente sem juízo e o permito estar no controle. O que não é nada saudável e, cedo ou tarde, vou acabar me dando muito mal. Mas em minha mente, é possível aproveitar mais de sua companhia sem ir para águas profundas.
Mas nesse momento... Estou feliz por não ser totalmente razoável e fazer a coisa certa. Esse fim de noite sem Theo teria sido um pesadelo. E tenho medo que se ele partir, todas as sombras que me cercam voltem para me engolir.
Preciso dele aqui.
Sem contar que saber mais sobre sua vida foi um brinde à parte que ganhei. Claro que, quando o assunto se virou para mim, a coisa ficou desconfortável. Mas não durou, felizmente.
Admito que já tive vontade de pesquisar sobre ele. Muita vontade. Mas em todas às vezes, cheguei a mesma conclusão... Se eu ultrapassar essa linha, não haverá volta. Estarei perdida em uma obsessão sem limites, que só fará mal a nós dois. Eu preciso colocar limites. Pelo menos os mínimos.
Tomo um banho rápido, não quero deixá-lo esperando.
Quando saio do banheiro, sinto necessidade de fazer algo com meu cabelo. Ele parece tão curto pelos cachos. Então me sento em frente a minha penteadeira, ainda de toalha, e uso uma escova e o secador para secar e alongar um pouco os fios. E isso não é rápido.
Ao terminar esse processo, não me sinto bem ainda, então passo a chapinha. Mas fica liso demais. Fica evidente que estava me arrumando para ele e isso parece constrangedor. Então volto para o banheiro e molho o cabelo de novo, recomeçando o processo de puxar com a escova e o secador, mais uma vez.
No final, ainda desgostando do resultado, acabo por fazer um coque, deixando uma mechinha solta e colocando atrás da orelha.
Vou para o guarda-roupa e não sei o que vestir. Poxa, é um fim de noite, eu deveria colocar algo confortável e quente, ir comer e dormir. Mas tudo que consigo pensar é que roupa ele gostaria de me ver usando. Embora, algo dentro de mim grite que ele prefira nenhuma.
Escolho um conjunto de lingerie preto e visto. Geralmente optaria por alguma calçola confortável e um camisão, já que está frio. Mas tenho essa necessidade, dentro de mim, de parecer bem.
Então, coloco uma calça preta de tecido leve e uma camisa de botões e manga comprida da mesma cor. No entanto, o pijama que coloquei não me protege do frio. O pano é fino demais.
Coloco uma meia e minhas pantufas e então pego uma manta na parte mais alta do guarda-roupa. Até tenho que me esticar nas pontas dos pés e meu corpo fica tenso e ansioso, esperando que Theo apareça e me encoche enquanto me ajuda a pegar. Mas ele não aparece.
Saio do quarto, com a manta sobre meus ombros, e desço as escadas na ponta dos pés.
O silêncio reina no andar de debaixo. Será que ele ainda está no banho?
Olho na cozinha e não o vejo. Vou para a sala e nada. Então escuto um barulho. Dou mais um passo para dentro do cômodo e então o encontro.
Theo está deitado no sofá maior, com uma mão embaixo da cabeça e outra no peito. E ele dorme profundamente. Posso ouvir sua respiração pesada e mais profunda.
Ele usa uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca. Acho que ele sabe que adoro quando usa cores claras. Ele tem as usado bastante ultimamente. Ou talvez seja apenas questão de gosto.
Seu cabelo está uma verdadeira bagunça, exatamente do jeito que adoro.
Me aproximo dele, não querendo acordá-lo, mas com essa intenção.
– Theo... — Chamo baixinho para não assustá-lo, mas ele nem se mexe.
Talvez eu deva deixá-lo dormindo e pedir a pizza. Só o acordar depois que chegar...
Sim, é uma boa ideia.
Tiro a manta que me envolve e coloco sobre ele, então pego o telefone sem fio e vou para a cozinha.
Sinto falta da manta, os cômodos parecem realmente frios e minha cabeça está doendo de novo. Aposto que vou pegar uma gripe daquelas.
Pego o número da pizzaria pendurado na geladeira e ligo. O rapaz que me atende diz que vai levar 50 minutos, mais ou menos. Concordo e agradeço antes de desligar.
Abro a geladeira e separo algumas laranjas. Estou realmente feliz por ter ido ao mercado ontem, não tinha nada aqui.
Preparo uma jarra de suco e deixo sobre a mesa, depois limpo a bagunça.
Quando volto para a sala, Theo continua dormindo, e na mesma posição. Me sento no sofá oposto e fico encolhida, apenas o observando.
Me lembro das palavras dele hoje. Sobre sua família. Estou curiosa a respeito deles e todo esse escândalo. Poderia pegar meu notebook e pesquisar...
Não! Péssima ideia! Limites, Diana! Limites!
Não posso deixar de sentir um pouco de simpatia por ele e a situação que viveu.
Eleonor nunca me confirmou, mas eu sempre suspeitei que meu pai tenha vivido algo semelhante. A esposa grávida de outro.
Isso explicaria porque ele não quis ficar comigo e porque Ren sempre teve tanto carinho por mim e me deixou uma herança. Sempre desconfiei que John Weber não era meu pai, mas essa é uma dúvida que não quero sanar. Certas coisas ficam melhores escondidas. E eu amo demais o homem que me criou quando criança. E ele me ama também. Talvez não da forma correta, já que sempre se manteve o mais longe possível. Mas também, nunca me tratou mal ou me fez acreditar ser odiada. Apenas negligenciada em alguns, muitos, momentos.
Tyler foi a grande descoberta da minha vida. Acho que só aprendi o que é ter um irmão e ser amada por causa dele. Já que minha relação e de Julie nunca foi estável.
Tyler... Pensar nele me deixa deprimida. Não acredito que ele me proibiu de ir à casa de seus pais no feriado. Isso foi tão cruel!
Mas não parece errado, no entanto.
Imagino como ele não deve estar se sentindo para chegar a esse ponto extremo. E eu sou a responsável por isso. Criei toda essa bagunça em nossas vidas.
Olho para a mesa de centro e o envelope que ele me deu está ali ainda. Não faço a menor ideia do que vou fazer por tanto tempo em casa. Começando pelo feriado prolongado seguido das férias. Sem Tyler tudo se torna um enorme ponto de interrogação.
– Ei você aí... - A voz de Theo me chama atenção. Ele continua deitado na mesma posição, mas agora tem os olhos abertos. — Tudo bem?
– Sim.
– Parece frio aí.
Ele se senta, abrindo espaço de ambos os lado.
– Vem aqui. — Me chama e não espero um segundo convite, vou até ele e me sento a seu lado. Ele passa a manta sobre nós dois e me abraça, me puxando em seu peito. Não faz mais nada além disso e é reconfortante.
– Dia...– Diz quase em um sussurro depois de um tempo. — Não posso me distrair por um minuto que você vai para longe de mim... — Me dá um beijo na testa.
Uma desculpa pela demora em descer aparece em minha mente, mas não acho que ele está falando sobre isso. E acho que devo concordar com ele...
– Já pedi a pizza. — Desconverso. — Não queria te acordar.
Ele segura minha mão e a ergue, então deposita um beijo na palma. Causa uma leve cócega por causa da barba que está por fazer
– Que ótimo, estou com tanta fome que... Poderia te comer...– Sussurra e dá uma mordida em meu polegar, me fazendo afastar a mão da dele e o encarar, então sorri. — Você está linda. — Engata ele, sem me dar oportunidade de me manifestar. — Amei o que usa. É tão suave. É quase como se não houvesse nada. Quase... — E a mão que me abraça acaricia meu braço e o toque é tão... Quente.
É como se não houvesse tecido mesmo, ele está certo.
Me sinto nua por um momento. Mas só até ele virar minha cabeça e seus lábios encontrarem os meus. Depois disso, eu não me sinto mais assim, só necessito estar. Estar corpo contra corpo, pele contra pele.
Quero senti-lo.
Mas eu não posso.
Sua língua desliza para minha boca, encontrando a minha.
Eu sempre odiei beijos de língua. Ok, não só os de língua. Todos! E agora... Apenas desejo que ele não se afaste. O nojo é facilmente vencido pelo desejo e me sinto descontrolada. Como um trem descarrilhado.
É horrível se sentir assim. E ótimo. São tantas contradições. Tantas lutas dentro de mim. Mas não paro. No fim, não importa realmente o que penso. Só o que quero nesse momento. Será que estou andando demais com Terry?
Theo se afasta e respiramos ofegantes.
Afaste-se, Diana! – Me ordeno mentalmente, mas não quero fazer isso. Quero só mais um pouco...
Me viro de frente para ele, ficando de joelhos no sofá e investindo contra seus lábios.
Tento repassar meu dia em minha mente, ter certeza de que não bebi nada alcoólico. Porque essa, definitivamente, é uma versão muito fora do meu normal.
Sinto as mãos grandes de Theo apertarem minhas nádegas. Seguro seu rosto por um momento, até que desisto e vou para seu cabelo. Adoro tocar os fios sedosos e bagunçar. Só preciso tocá-lo.
Suas mãos saem de minha bunda e alcançam minhas coxas. Puxando-me e obrigando a ir para seu colo. Me lembro da última vez que estivemos nesse sofá. E as coisas também saíram do controle.
Sinto sua ereção contra o centro das minhas pernas, dessa vez nada de tocar sem querer. Ele me força para baixo, para senti-lo. Até que se levanta e me assusto, rodeando as pernas em sua cintura e os braços em seu pescoço para não cair. Separo nossas bocas para um gritinho pelo choque do movimento. Mas não fico no ar por muito tempo, ele se abaixa e me deposita deitada do sofá, ficando por cima.
Sua boca volta a encontrar a minha e suas mãos estão em minhas coxas, ele me força a soltar sua cintura e deixa um joelho entre minhas pernas, roçando onde antes sua ereção tocava.
Talvez essa seja a hora de parar. As coisas estão intensas demais.
Solto seu pescoço e levo as mãos abertas para seu peito, tentando empurrá-lo, ou dizendo a mim mesma que estou fazendo isso. Porque não uso força alguma. Na verdade, seguro sua camiseta e o puxo para mim quando seu joelho começa a esfregar meu ponto sensível. É como se colocasse fogo em um pavio. Sinto tudo se acender dentro de mim a partir daquele único ponto, se preparando para uma explosão.
Ele usa uma mão para virar meu rosto e então começa a beijar meu pescoço. Eu posso sentir algo pulsar lá embaixo a cada lambida que recebo em minha pele. E a razão... Ela se foi!
– É aqui?– Ele diz em meu ouvido, então captura meu lóbulo com a boca. Sinto cócegas pelo corpo todo e tendo escapar, empurrando e me movendo embaixo dele, me esfregando, sem querer, ou não, em seu joelho. – Acho que é a pizza...
Ele volta para meu pescoço e dá um selinho, então levanta a cabeça e me encara com um sorriso muito charmoso. É aí, olhando para seus olhos, enquanto luto para respirar, que eu escuto a buzina do lado de fora.
– Não saia daqui. Não se mova nem um centímetro. — Se abaixa e me dá um selinho nos lábios, então se levanta e passa por mim. Mas não sem que eu veja o volume monstruoso em sua calça antes. O que me lembra da maldita Terry na hora do almoço.
Como diabos ela espera que aquilo entre em minha boca? Não acho possível nem que entre em mim pelos caminhos apropriados. Não que eu esteja considerando isso. Mas... Como será ao vivo e a cores? Não é como se eu nunca tivesse visto um pênis, também. Vi o do Liam e do Tyler.
Troquei muitas fraldas do Liam e Tyler é sem noção. Qualquer canto se torna banheiro depois de beber. Mas, eu não olhei por tempo suficiente para declarar que vi um pênis, realmente. E aqueles da internet? Aposto que são aumentados na edição. Não que eu veja pornô. Não com frequência, pelo menos.
Respiro fundo, esperando a razão reaparecer e colocar tudo no lugar. Mas quem aparece não é ela. Theo está de volta.
– Comer? — Me pergunta, mas volta a se deitar sobre mim, deixando seu maldito joelho onde estava antes. Esfregando em mim.
Fecho os olhos quando sinto uma onda de prazer irradiar pelo meu corpo. E os lábios dele estão nos meus de novo. Apenas roçando.
– Comer... — Digo — Vai esfriar...
– Quero... — Theo beija meu maxilar e vai subindo pela minha bochecha, indo direção a minha orelha, até que alcança o lóbulo. — Comer outra coisa. Mas... — Ele se afasta, fica em pé e me estende a mão. — Você precisa se alimentar. Venha!
Theodor me ajuda a ficar em pé e percebo minhas pernas tremerem. Tento me firmar e esconder isso.
– Eu... Já te encontro. — Me afasto dele e vou apressada para o banheiro no corredor, me trancando ali.
Que droga estou fazendo?
Meu corpo está em chamas. E querendo mais. E mais. E mais.
Foram 25 anos sem precisar de um cara. Sem necessitar ser tocada. E agora, não quero me afastar. Quero dar uma de maluca tarada e agarrar-me a ele. Mas sei que quando toda essa empolgação passar, eu vou me sentir um lixo.
Diana sexualmente ativa e desvairada não é a verdadeira. Na verdade, eu nem sei de onde essa saiu. Eu não me reconheço nesse momento e não quero me arrepender depois, por fazer algo no calor do momento.
Vou para frente do espelho.
Meu cabelo se soltou, está bagunçado, meus lábios estão inchados e minha pele, no pescoço, vermelha.
Saio do banheiro e espio o corredor. Vazio. Vou para as escadas e então para meu quarto.
Pego uma calcinha nova e uma calça semelhante a anterior. Entro no banheiro e me lavo com o chuveirinho. Queria um banho completo, mas não quero encontrar Theodor dormindo de novo. Nós vamos comer e então ele vai embora. E fim.
Depois de vestida, lavo o meu rosto e arrumo meu cabelo, então desço.
Theo está na cozinha, sentado na cadeira, distraído.
Ele arrumou a mesa, colocou os pratos, copos e talheres. A caixa da pizza está no centro, junto a jarra de suco.
– Oi... — Digo da porta, sem realmente me aproximar.
Ele me olha e sorri. Reparo que seus lábios também estão inchados.
– Você está bem? — Ele me pergunta e apenas concordo, sem conseguir expressar em palavras. Porque, na verdade, eu não me sinto bem. Agora que toda a excitação diminuiu consideravelmente, eu consigo pensar direito e me envergonho por deixar meu corpo me levar. E ao mesmo tempo, ainda o desejo.
Ele fica em pé e caminha lentamente em minha direção. Não recuo. Acho que deveria, talvez assim ele ficasse ciente de que não estou bem com isso. Pelo menos não a Diana não devassa, que é a verdadeira.
Sua mão segura a minha e sou puxada em direção à mesa. Theo puxa a cadeira para que eu sente. Então tira a tampa da pizza e me serve.
Não sei o que falar. Acho que o segundo grande motivo para que eu não fizesse sexo, sempre foi justamente a falta de palavras que me rodearia depois. E nós nem fizemos isso...
Nós comemos em silêncio, ele me encarando e eu desviando o olhar. Mas sempre espiando.
– Dia... — Ele me chama e não quero encará-lo. Estou tão envergonhada. — Quais são seus planos para o feriado?
– Oi? — Levanto o rosto para estudá-lo. Por que ele está me perguntando justo isso? É como se estivesse enfiando o dedo numa ferida.
– Ah... Eu... — Não chore, Diana, não chore! Não é grande coisa. — Ficar em casa. — Consigo dizer.
– Com sua família? Adoraria conhecer o pequeno Liam. — Ele sorri.
Conhecer...?
– Eu... Na verdade... — Estou perdida. Ele acabou de dizer que quer conhecer a minha família? Quer dizer, Liam é uma criança, mas é lógico que se ele for conhecê-lo, vai acabar conhecendo os pais dele. Ou seja, minha família.
Eu preciso cortar isso. Meu deus!
Será que Theodor Blake pensa seriamente em um relacionamento comigo ou só estou sendo muito pretensiosa?
– Não passaremos juntos. — Digo.
Termino minha fatia de pizza e descanso as mãos no colo, para que ele não as veja tremendo. É estupido ter essa reação.
– Vai passar com os amigos?
– Não. Você passará com sua família? — Tento tirar o foco de mim.
– Não. Minha mãe estará tirando férias. — Ele sorri. — E eu preciso estar fora da cidade para resolver algumas coisas. Jane vai me acompanhar e não costumamos celebrar essas coisas só nós dois. Mas não preciso estar lá até sexta de manhã...
Ele me olha, esperançoso. Seria ótimo não estar sozinha. Mas acho que o castigo que Tyler está tentando me infringir não teria sentido. E eu não quero atrapalhar Theo e sua irmã.
As pessoas sempre falam “Não comemoramos feriados”, “Não fazemos isso”, “Não fazemos aquilo”, mas no fim, sempre tem algo. Alguma coisinha que é feita e que configura tudo. Não posso me intrometer nisso. Além do mais, acho que já baguncei demais essa nossa “amizade”.
– Aproveite para passar algum tempo com Jane. Vocês não se veem muito agora que mudou, certo?
– Sempre que possível e isso é quase todo dia, na verdade.
O silêncio de instala. De uma pegação fervente a um silêncio sepulcral.
Ele termina de comer e me estuda. Não consigo segurar seu olhar, estou muito constrangida. Então começo a retirar a louça suja e a lavar. Uma tremenda falta de educação dar às costas ao meu convidado, mas não posso olhá-lo no momento.
– Diana... — Sua voz soa perto.
Termino o último prato e o deixo no escorredor, então me viro e o encontro atrás de mim.
Theodor deixa suas mãos em minha cintura, me empurrando para trás e pressionando contra a pia.
– O que há de errado? — Me pergunta. Ele está chateado. E não o culpo. Eu sou uma coisinha estúpida mesmo.
– Não há nada... — Evito olhar para ele.
– Está com vergonha?
Que pergunta! E ainda há dúvidas?
Minhas bochechas estão tão quentes que me sinto febril.
– Olha pra mim, Dia...
Espalmo minhas mãos em seu peito, tentando afastá-lo.
– Eu não posso agora... — Sussurro.
Sua mão deixa minha cintura e vai para meu rosto, me forçando a encará-lo. E o rubor piora, se é que isso é possível. Sinto até o couro cabeludo arder.
Theodor sorri. Ele não fica bravo. Não começa um sermão sobre como sou adulta e deveria passar por tudo isso sem ficar como um tomate. Ele apenas sorri. Me olha com carinho. E desejo.
– Você fica tão linda envergonhada. — Se inclina e beija minha bochecha. — Eu guardo a louça.
Então se afasta de mim e pega um pano que está sobre o fogão.
Eu fico ali, parada, tentando recuperar a postura.
Theo consegue me deixar relaxada, ele extrai o melhor de mim. Mas também consegue me deixar mais constrangida que o próprio Tyler, tentando fazer isso de propósito.
Me afasto da pia e vou em direção à mesa. Tampo a caixa de pizza e a deixo ali. Então vou para a sala. Preciso de um momento longe dele para me recuperar.
Estou uma bagunça.
Não sei quanto tempo se passa, mas Theo se junta a mim. E a sua bolsa está junto. Ele a deixa ao lado do sofá e se senta perto de mim.
– Obrigada pela noite, foi muito agradável.
Mas suas palavras não alcançam seus olhos. Ele está bravo e quem pode culpá-lo por isso? Eu sou uma idiota mesmo!
– Você não tem que ir. — Digo e me censuro internamente por isso. — Ainda. — Acrescento.
– Nós dois sabemos que eu tenho. — Ele se vira para mim e acaricia meu rosto. Adoro quando ele me toca. É uma sensação nova. Diferente. Nunca gostei que me tocassem. Até mesmo Tyler tem limites. Mas Theo... Eu não me importo. E é aí que mora o perigo. Ele me leva para onde quer, facilmente.
– Eu não queria estragar a noite. — Me obrigo a olhar em seus olhos, me sentindo culpada.
– Não estragou, ela foi fantástica. Eu só lamento se a assustei... É como você parece agora. Assustada.
Nego.
– Não estou, Theo. — Sou sincera. — Eu só não estou acostumada a dar amassos com caras no meu sofá. Aliás, em lugar algum. Essa coisa de “casual” não funciona para mim.
– Bem... — Ele se vira um pouco e se inclina, tocando minha testa com a sua e me olhando profundamente. — Não funciona pra mim também.
Bem, isso parece com um fora. Certo? Eu acho. Mas então ele sorri e eu acabo correspondendo. Logo em seguida meus lábios são capturados de novo. Em um beijo completamente arrebatador. Um do tipo que eu não havia experimentado ainda. E se meus lábios já estavam inchados antes, agora, certamente devem lembrar os da Angelina Jolie.
– Eu não acho... — Ele se afasta, ofegante. — Que haja qualquer coisa casual sobre nós... Eu quero te ver amanhã. — Sinto meu peito pulsar com as batidas fortes do meu coração. Eu não quero que ele continue, porque não posso dar o que ele quer. Mas eu preciso escutar. Todo meu corpo anseia pelas palavras que acho que ele vai dizer.
– E depois de amanhã. — Ele continua. — E todos os dias. Em todas as horas. Você não sai da minha cabeça, Diana.
E ai está ela de volta, a Diana devassa, que agarra a Theodor como se não tivesse um pingo de vergonha na cara.
Poxa, quem poderia deixar essas palavras de lado? Theodor Blake, já me tem. Não adianta protestar e dizer o contrário. Eu sei que ele não está me dizendo essas coisas da boca para fora. Se fosse assim, ele nem diria. E esse é o meu ponto de ruptura. Eu preciso disso. Preciso ser importante para alguém.
Aperto meus braços em volta de seu pescoço e o beijo. Com toda a intensidade que consigo. Seu gosto é maravilhoso, seu cheiro me causa coisas, e seu toque...
Sua mão apenas encosta em minha cintura, enquanto a outra continua sobre meu rosto. E o fogo que elas emanam... Ele me faz ferver. E esquecer o que é certo e o que é errado.
E apenas com palavras.
Se ele pode causar toda essa tempestade em mim só falando, o que ele não pode fazer quando decidir ficar quieto?
Theo se levanta e me leva junto, segura minha bunda com vontade, me puxando para ele, para cima. Até que tenho uma perna em volta de sua cintura e então a outra...
Quando nos separamos atrás de ar, percebo que estamos andando. Ele me segura firme e me leva pelo corredor de cima, até que estamos em meu quarto. E eu sei que as coisas estão perdidas, porque eu não quero parar. Eu não posso.
E então estamos em minha cama. Theo se senta comigo em seu colo. A luz está acessa e não faço a menor ideia de como ele conseguiu comigo em seu colo.
Desenrosco as pernas de sua cintura, deixando os joelhos ao lado de suas pernas.
Sua boca encontra meu pescoço e os beijos se tornam mais agressivos. Sinto minha pele arder pela barba dele que me arranha e sua mão está em meu corpo de novo, curiosa, exploradora. Ele segura meus seios com força e então afasta o toque. Ouço um barulho de coisas batendo no chão e percebo, tarde demais, que são meus botões. Minha camisa está aberta e meu sutiã está à mostra. E ele se afasta, me olha com admiração. E isso é tudo que eu poderia esperar e querer de um cara.
Não me sinto apenas como um pedaço de carne, pronto a ser devorado. Há mais em casa gesto.
– Perfeita... — Ele me estuda. Acaricia a borda do meu sutiã, então passa o polegar em meu rosto. — Você é maravilhosa, Diana.
A mão direita de Theo explora os montes dos meus seios sobre o sutiã negro, enquanto a esquerda acaricia meu rosto. E então o dedo contorna meus lábios, suavemente. De uma forma tão sexy...
Abro os lábios, capturando seu polegar e então o sugo. Isso é nojento, mas sou incapaz de parar quando ele começa a gemer. Ele tenta dizer algo, mas sua voz, agora rouca, se torna indecifrável.
Sugo com mais força, rebolando em seu colo, em sua ereção, que cutuca o centro de minhas coxas. Tão errado. Tão impuro. Mas tão bom.
É como se eu estivesse caminhando para um abismo, pronta para saltar. E eu quero saltar. E sinto cada vez mais o quão próximo estou da beirada.
Theo afasta seu polegar de meus lábios, usa as mãos para tirar a minha camisa rasgada e sinto as mangas do meu sutiã descerem asperamente pelos meus ombros. E a boca dele encontrar meu seio, agora de fora, chupando e mordendo minha pele, até que encontra meu mamilo. E a cada toque, cada carícia que sua boca me faz, sou empurrada para mais perto do abismo.
Meus dedos dos pés se contraem, uma cócega se inflama pela minha barriga e continuo a me esfregar, sentindo algo prestes a explodir em mim.
Será que seria assim com qualquer um? Ou Theodor Blake é o meu tipo especifico? O tipo que me leva a loucura sem precisar ser mais do que já é.
E então eu estou na borda do abismo... E salto.
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