À flor da pele
32 Família!
Notas iniciais
Theodor Blake
Amy Scott tem um timing muito questionável. Ela sempre aparece nas piores horas. Sempre! E claro que, dessa vez, não seria diferente.
Já me perguntei várias vezes se ela plantou alguma escuta em mim. É sério, chega a ser irritante. Quase perseguição. Se eu não a pagasse para estar por perto, isso já teria me tirado do sério.
Beijo a testa de Diana e saio do quarto. Não deveria deixá-la sozinha, não agora. Justo agora. Será que ela ficou com medo? Não posso culpá-la se ficou.
Amy diz que eu perdi alguns parafusos. Ela também torce, constantemente, palavras suas, para que Diana me processe por perseguição algum dia. Eu não posso discordar realmente.
Quando a encontro na porta, Amy está de braços cruzados, cara de poucos amigos. Desde pequena ela odeia festas. Em especial as que damos aqui. Diz que minha família é amaldiçoada. Isso porque sempre tem um bêbado barraqueiro. Geralmente é o Tyler, o garoto prodígio!
— O que é? — Pergunto a ela, depois de fechar a porta do quarto.
— Tomara que ela...
— Me processe, já sei! — Termino por ela. — O que aconteceu?
Ela descruza os braços e começa a andar na minha frente. Ela faz isso quando está brava, me dá às costas. Sabe que odeio que falem comigo sem me olhar nos olhos. Salvo Diana, que aparentemente desenvolvi algum tipo de tara por tê-la na minha frente, aquele rebolado enquanto anda...
Enfim, essa mania da minha funcionária, e também amiga, surgiu quando éramos crianças. Seus pais cuidavam de uma das propriedades do meu pai. Em todas as férias, passávamos correndo e subindo em árvores. Até que teve um verão que meu pai convidou os filhos de dois de seus sócios. Foi um verão incrivelmente barulhento. Amy ficou com raiva por não ter toda a minha atenção e começou com essa coisa. Às vezes eu é que parecia o filho dos empregados e não o contrário. Esse projeto de gente me deixou por baixo por muito tempo.
— Jane e sua mãe protagonizando matéria de primeira página, de novo. — Ela diz enquanto anda.
Respiro fundo. Controle-se, Theodor!
— Você não me disse, há uma hora atrás, que minha mãe tinha partido?
Manter Jane e minha mãe longe uma da outra é o que faz o universo funcionar. Amy não queria vir hoje e eu poderia tê-la dispensado, mas aí, teria que ficar como babá delas. Já me basta todos os dias e todas as discussões que sou obrigado a interferir. Pelo menos por uma noite eu queria ter paz. Queria. Passado.
— Ela foi. E então brigou com sua avó e voltou. E agora está brigando com sua irmã, só te esperando, para brigar com você. Para, então, continuar o circulo de confusões em todas as festas que você dá! — Diz toda sarcástica, nem mede as palavras.
Thomas me questiona constantemente sobre o porquê continuar mantendo essa coisinha ruim perto de mim. Eu pergunto o mesmo sobre Theresa a ele. Sempre chegamos a mesma conclusão. Família.
Não se cresce ao lado de alguém sem se apegar. Não se passa tantos anos na companhia de uma pessoa sem acabar por chamá-la de família. Especialmente nessa bola de demolição em que cresci. Essa coisinha briguenta e mal humorada por muito tempo foi minha tábua de salvação. Algumas vezes mais próxima que a própria Jane.
Amy desce as escadas e vira no corredor que dá acesso ao antigo escritório da minha mãe. Só espero que não estejam brigando por isso de novo. É como se eu estivesse ouvindo, constantemente, um disco riscado, que pula sempre para a mesma parte da música.
Para minha alegria, momentânea, ela não vai para o “banheiro”, onde já foi palco de umas quatro brigas. Dessa vez ela entra na sala.
Minha mãe não está aqui, apenas Tyler, sentado no sofá, e minha irmã deitada, com a cabeça em seu colo. Aparentemente dormindo.
Desde que passei a casa para o nome da Jane, as coisas tem estado difíceis. Elas já não se gostavam, mas ficou pior.
Minha irmã, como pedi, não usa isso para provocá-la. No entanto, minha mãe se sente traída por não ter algo, finalmente, do velho Blake.
Meu pai é um idiota, doente e cruel, mas entendo o lado dele em não querer que minha mãe tenha algo do que é seu. Ela o traiu. Simples assim. Eu me lembro que eles brigavam muito quando eu era apenas um garoto, mas tinham lá seus momentos bons também. Então ela engravidou e a pequena Jane, luz da minha vida, nasceu. Fruto de uma traição. Eu sempre achei que ele é que seria pego pulando a cerca, mas quando as fotos apareceram e ele perdeu a cabeça, percebi que dava crédito demais às mulheres. No fim, estamos todos no mesmo patamar. Sujeitos a cometer todos os erros.
Certo? Errado.
Há um motivo. Sempre há um. As pessoas são suscetíveis ao momento. O segredo é não dar oportunidade. Manter o controle.
No entanto, fazer isso com as mulheres da minha vida é uma tarefa quase impossível.
— O que foi, agora? — Pergunto enquanto me sento em uma poltrona. Não perco o olhar de Tyler em minha roupa.
— Você tava transando. — Ele começa, já me fazendo perder a paciência cedo. — Para seu bem, espero que com aquela modelinho nojenta.
Tyler se dá bem com Thomas, o que é algo grande se levar em conta que ele odeia tudo no "meu mundo", salvo Jane. Agora, apesar de sua aversão pelo meu estilo de vida, família, e amigos, ele sempre tolerou muito bem a todos e até participou de várias reuniões entre amigos. Mas se tem uma pessoa que ele é incapaz de aguentar, essa é Theresa Müller. Bem, ninguém pode culpá-lo, certo?
— Se parasse de cuidar da minha vida, e passasse a cuidar mais da sua, talvez eu pudesse continuar a minha transa com a modelinho nojenta, Tyler.
Ele não precisa saber o que eu ando fazendo e com quem ando fazendo. Isso não é e nunca foi de sua conta. Não começará a ser agora. Esse é um dos motivos que me impede de esfregar em sua cara com quem eu estava.
— Eu estava procurando a Diana, a perdi de vista. Ela não pode beber muito, como você bem sabe.
É, eu sei. Percebi isso final de semana passado.
— Tyler, não é uma festa de estupradores. E mesmo que haja algum idiota com segundas intenções, tem câmeras e seguranças por todos os lados. Tudo que você precisava fazer era ficar de olho na Jane. — Se tem algo que eu deixei bem claro para esse babaca, é que se ele vai transar com a minha irmã, ele vai cuidar dela também. Ele parece se esquecer disso com frequência, já que sempre sou eu que tenho que limpar toda a bagunça. — Não é uma tarefa tão difícil.
— E definitivamente não é uma das mais fáceis também. — Ele reclama.
— Eu sei disso, muito bem. Mas do que deveria.
Ficamos nos encarando por um tempo. Estou aprendendo a gostar dele, ou apenas tolerar, como Amy diz. Ele está com a minha irmã e isso já tem algum tempo. Por ela eu posso pegar leve com quem não merece.
Ele baixa a cabeça, acaricia os cabelos curtos dela. Ele a adora, isso é inegável. E ele também gosta da Diana. A forma que ele olha para a "amiga" deixa isso claro. E é irritante. Primeiro porque ele está com minha irmãzinha, segundo porque ele não deveria ser atraído por criaturas tão puras, no final, ele só corrompe o que toca. Felizmente Dia não partilha dos mesmos sentimentos. Isso ficou mais que claro enquanto... A observava. Queria eu que Jane tivesse tido algum bom senso também.
É engraçado como as coisas acontecem na vida. Seis meses atrás eu nem mesmo fazia ideia de que Diana existia. Até que Jane chegou chorando e dizendo que Tyler não a assumia por ter outra. Nesse mesmo dia, Amy me desobedeceu. Ela não me levou para casa como sempre, foi para frente do trabalho da Diana, com Jane no banco do passageiro. Minha irmãzinha estava seguindo o namorado e dessa forma, chegou até ela.
Eu as ignorei o máximo que pude. Revise contratos, atualizei meus perfis nas redes sociais e qualquer outra coisa que pudesse me distrair. Mas se tem uma coisa completamente irritante nesse mundo, são duas mulheres tirando conclusões baseadas em suspeitas. Sai cada coisa...
Eu me lembro que me irritei e acabei por me juntar a elas, era isso ou voltar andando para casa.
Diana estava parada em frente ao edifício que trabalha. Como quando lhe dei carona na semana passada. Ela estava distraída olhando para seu relógio. Parecia tão serena e meiga. Ela estava de branco, um vestido justo que ia até o joelho, o cabelo estava preso de lado, deixando seu rosto delicado em evidência. As pernas bem torneadas eram outro chamariz. Eu não teria culpado Tyler por estar com as duas. Minha irmã sempre foi ótima, mas a Diana... Gostosa. Demais. Com carne em todos os lugares certos.
Naquele dia, minutos depois de Tyler aparecer e a garota bonita entrar em seu carro, o celular de Jane tocou. Era o idiota. Ele a convidou para sair com ele e uma amiga. Ela negou o convite e inventou uma desculpa. A realidade era que estava aos pedaços. A garota chorou a noite toda depois disso. Disse que era burra por duvidar dele. Mas, logo depois de conhecer Diana, ela voltou a se incomodar. Dessa vez ela tinha certeza que eles tinham um caso, porque a Diana chamava Tyler de “Ty” e ele dormia na casa dela às vezes. Eu esperava que Tyler realmente estivesse traindo Jane, assim ele rodaria de uma vez.
Nunca entendi o que as mulheres veem em mim, que acabam por me usar como ombro amigo. Eu não quero consolar ninguém. Não quero ouvir sobre as experiências sexuais da minha irmã e como ela se sente frustrada pela demora de Tyler a procurar na cama. Mas eu ouvi. Tudo isso e um pouco mais.
Jane cismava em ficar na porta do trabalho da Diana, dia após dia, esperando que um namorado aparecesse. Mas não, quando Dia não saia sozinha, ela saia com Tyler.
Admito que, depois de duas semanas, estava ansioso por ir até lá e descobrir que roupa adorável ela estaria usando. Eu gostei do corpo dela, das roupas dela. De como ela ficava linda e adorável naqueles vestidinhos sociais. Mas, teve um dia em especial, quando uma onda de calor tomou conta da cidade. Ela usou um vestidinho rodado, dois dedos acima dos normais, era amarelo, florido, e o cabelo estava preso em um rabo de cavalo, que deixava seu pescoço bonito à vista. Durante a tarde esfriou um pouco e a brisa balançava o tecido, deixando o joelho e uma parte da coxa a mostra. Ela estava mais que apetitosa. Estava perfeita.
Depois que Jane desistiu de segui-la, continuei fazendo isso. No começo disse a Amy que não estava convencido, mas nunca fomos além do trabalho. Certo dia minha amiga estava tomando café comigo e me apontou a garota bonita, de bunda gostosa, passando pelo parque. Uma grande coincidência, não?
Ela não me conhecia, não sabia das minhas ligações com Tyler, isso me possibilitou ficar lado a lado com ela certa vez. Eu só queria dar uma olhada de perto. Me sentei no banco e a observei parar, na volta, no carrinho de pipoca do Baltazar. Ela caminhou boa parte do parque, enquanto bebia sua água, com aquele rebolado bonito e natural.
— Theodor! — E aí está o problema.
Minha mãe entra na sala, imponente como uma rainha. Coisa que ela passa bem longe de ser.
Os cabelos loiros dela, não naturais, estão presos em um coque e ela parece muito mais jovem do que realmente é. Um bônus do casamento com meu pai. Dinheiro compra até idade hoje em dia.
Ela usa um vestido vermelho de gala. Como muito dos convidados, ela se recusou a usar uma fantasia. Especialmente porque Jane escolheu o tema da festa. Nem mesmo sei por que ela apareceu para essa festa. Aliás, eu sei perfeitamente o motivo. Arrumar confusão.
— Mãe! — Me levanto e vou a seu encontro, depositando-lhe um beijo na bochecha.
— Você está vendo o que suas atitudes impensadas me custam? — Ela leva a mão ao peito dramaticamente. Pisca os longos cílios sobre os olhos verdes dela. Como se isso funcionasse comigo.
Amy, parada na entrada da sala, pigarreia e quando a encaro, ela me faz um gesto, levando minha atenção para trás, onde Jane, visivelmente irritada, se senta. Mas já deu por hoje.
— Diga boa-noite, mãe. — Tomo-lhe o braço, prendendo-o no meu e a puxo para fora da sala.
— Está me expulsando, Theodor?
Ela me acompanha, mas quase arrastada. Vou direto para fora da casa, passando rapidamente pelos convidados e não lhes dando atenção.
— Janet que lhe disse para me expulsar? Você não deveria ter a casa para o nome dela, Theodor. É nosso lar, aquela garota... — E continua falando, reclamando.
— Nós combinamos que não ficaria em casa hoje. — A corto. — Você concordou.
Ela fica quieta, para de tentar escapar de mim e simplesmente me acompanha.
— Mas me deixar com a mãe do seu pai não foi uma boa ideia. Aquela mulher me odeia.
— E não é por menos. — Digo e logo me arrependo. Não falamos sobre os erros da minha mãe. Nunca. Mas tenho lá meus momentos de estresse extremo, onde tudo que quero fazer é botar para fora todas as coisas entaladas. Algumas vezes isso acaba escapando por meio de insinuações desnecessárias da minha parte, admito. Como agora. — Você vai com Amy para meu apartamento, e vai ficar o fim de semana fora, como combinamos.
— Isso não é justo. — Ela retruca.
— A ideia foi sua! — E foi mesmo, quando disse que Jane cuidaria dos preparativos, ela falou, com todas as letras que ficaria fora no fim de semana.
— E você, como um bom filho, deveria ter dito não!
Mulheres!
— Ainda não desenvolvi o poder de ler mentes, mãe!
— Theodor! — Ela me repreende.
— Desculpe. — Mas não realmente.
— Não gosto de onde mora, filho. Aquela prostituta barata de seu pai morava lá. Me recuso a ficar naquele lugar.
Mantenha o controle!
— Então vá para um hotel. Não é como se você não pudesse pagar um...
—Theodor, eu tenho casa! Ou melhor, tinha! Ao que parece já não tenho mais nada além de dois filhos ingratos.
— Dois filhos ingratos que te amam muito! — Solto-lhe o braço quando estamos ao lado do carro de Amy. Fico de frente para ela e lhe ofereço um sorriso, ela morde o lábio para não correspondê-lo. — Vá para um hotel cinco estrelas! Peça champanhe, o mais fino e caro que tiver. — Seguro suas mãos e aperto levemente. — Tenha uma boa noite de sono e de manhã peça o café na cama e uma massagem, o que acha? Você merece um descanso. Eu entendo que nem sempre somos os melhores filhos, mãe, mas não duvide do nosso amor e gratidão por você.
Ela cora levemente. Se eu tivesse exigido que se retirasse, ela teria feito. Mas o drama que viria em seguida duraria a semana toda. Tem certas lutas que só podem ser ganhas com gentileza.
— Meu bom garoto... — Ela solta uma de suas mãos da minha e dá um tapinha suave em minha bochecha. — Nos vemos em breve.
— Sim, mãe. Se cuide e relaxe. Você merece.
Ela sorri e se afasta. Amy abre a porta do carro e fecha assim que ela está acomodada. Minha amiga irritante me lança um olhar zombeteiro.
— Bom garoto!— Ela sibila antes de entrar no carro.
Espero que saiam da propriedade para respirar aliviado.
Entro na casa novamente, querendo ir direto para meu quarto, mas sei que ainda tem pontas soltas que podem voltar a me incomodar mais tarde.
Vou para a sala e Tyler e Jane continuam lá, agora ela está sentada, de frente para ele, de joelhos no sofá. Eles não me percebem e não me faço ser notado.
Tyler olha para Jane como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo. Acaricia sua bochecha e lhe tira sorrisos meigos. É difícil vê-la assim tão dócil. Minha irmã é a “Rebelde” da família. Estar agitada e aprontando algo é seu estado normal. Mas esse cara... Ele consegue fazer isso.
Quando Jane apareceu em meu escritório, com a “super novidade” de que estava transando com Tyler, minha primeira reação foi me tornar um daqueles empresários sujos, com capangas enormes, que resolvem todos os problemas com o famoso “chá de sumiço”. Eu teria dado todo meu dinheiro para quem levasse esse idiota para longe. Mas há esses momentos. Quando eles parecem não perceber o resto do mundo, presos em uma bolha.
Se aceito ele em minha casa e fazendo parte da minha vida, diariamente, é por ela. Pelos sorrisos que só ele pode tirar.
Pigarreio, para alertá-los de que estou na sala.
Minha irmã, ainda visivelmente alta, se enrosca no pescoço de Tyler, escondendo o rosto em seu pescoço.
— Janet. — Evito seu apelido, para que saiba que não estou brincando.
— Hey... — Tyler a incentiva a me olhar.
Jane é um amor na maior parte do tempo. Claro que isso só para quem ela gosta. E é tipo, gostar muito mesmo! Mas, ela consegue ser uma garotinha boba, mimada e egoísta outras tantas vezes.
Eu tinha sete anos quando ela nasceu. Meu pai não gostava da minha mãe e muito menos da minha irmã. Então, toda vez que ele ia me buscar, dava um jeito de deixá-las para baixo. E um Blake chateado significa muita coisa. É poder demais para uma única pessoa. Ele deixou isso subir a cabeça e as infernizou por um longo tempo. As portas sociedade foram fechadas para mamãe, minha irmã não era bem-vinda aos lugares que eu frequentava. Isso tudo causou uma superproteção demasiada. Hoje esse é o resultado.
Ela não respeita ninguém realmente. Aliás, me respeita, porque eu conquistei isso. Mas não foi fácil.
— É a última vez, Janet, não estou brincando. — Digo sério, tentando por para fora meu lado mais feroz. Se não for assim, ela simplesmente vai me ignorar.
— Jane. — Tyler diz, tão sério quanto eu. A vejo se afastar dele e sentar direito, me encarar.
— Você não tem que gostar dela, mas vai respeitá-la.
— E quanto a ela me respeitar? — Estamos uns três metros de distância e posso sentir seu bafo.
— Não se exige respeito, Janet, se ganha. Se as duas não conseguem entrar em comum acordo...
— Não me venha com essa! — Me interrompe. Fica em pé, bambeando, e se aproxima. — Essa casa não é dela! Por que ela continua aqui?
— Porque é nossa mãe. Precisa de outro motivo?
— Você tem que colocá-la para fora! Ela me odeia, não há um momento que não me atormente. Você precisa fazer alguma coisa!
— Você não mora mais aqui! — Digo irritado e ela dá um passo para trás. — Por que diabos está tão chateada com o lugar que ela vive? Nós combinamos, Jane, essa casa é dela, não importa no nome de quem esteja. E baixa a voz para falar comigo, mocinha. — Digo, agora controladamente.
Eu diria que minha irmã nunca me viu da mesma forma que eu a vejo. Acho que chegou um momento que eu deixei de ser apenas seu irmão e passei a ser uma figura paterna.
— Ela não merece nada disso. — Ela diz, dessa vez sem gritar.
— Quem decide isso sou eu.
Jane cruza os braços. Amanhã, quando estiver sóbria, vai se arrepender do que disse. Mas até que esse momento chegue, ela será um verdadeiro pé no saco.
— Leve ela pra casa. — Digo para Tyler.
— Não! Você disse que eu podia ficar essa noite! — Ela reclama, mas ignoro. Odeio ignorá-la.
— Claro, chefe... — Tyler retruca. — Mas preciso achar a Diana antes.
Filho.Da.Puta.
— Tyler, eu quero que vocês deem o fora daqui agora mesmo, e eu não estou de brincadeira.
— Mas ela...
— Ela já foi embora. Faz tempo, inclusive. Disse que estava desconfortável. — Ele ameaça retrucar, mas dá de ombros. Aparentemente isso é algo que ela faria...
— Tem certeza que ela foi embora e que não saiu com alguém? Ela fica perdidinha quando bebe, Theodor, é perigoso...
— Para casa, tenho certeza, Amy perguntou. Sério. Agora cuida de quem você tem que cuidar.
Ele concorda e puxa Jane pelas mãos. Ela não reclama dessa vez, só me lança olhar cheio de decepção. Isso acaba comigo.
Espero eles saírem.
No final, nem mesmo descobri o porquê da briga e ninguém quis esclarecer realmente. Para ver como não é nada novo. Sempre a mesma coisa. Os mesmos motivos. As mesmas brigas.
Elas testam, constantemente, minha paciência. Acham que ela é inesgotável.
Respiro fundo e subo as escadas, me sentindo relaxar aos poucos e ganhando ânimo de novo. Diana está me esperando e eu não vejo a hora de ter algum tempo com ela. Essa mulher me acalma.
Volto para o quarto, mas não a vejo. Olho no banheiro, nada dela. A cama está com os lençóis amassados na metade. No chão, perto da varanda, encontro o tridente que ela segurava antes.
Deve ter perdido a paciência comigo, como mais cedo. Mas ela não pode me culpar. Porque dar bola para outros caras, ainda mais para o Tom... Não era ele que ela observava.
Desço, um pouco irritado. Não será fácil conseguir sua atenção agora. Aposto que ela vai fugir, se esconder. Como na segunda, quando foi correr mais cedo para não me encontrar.
Ando entre os bêbados animados na pista de dança. Não a vejo. Vou até o jardim, não a encontro. Vou para a entrada da propriedade e intercepto um segurança. Pergunto pela moça pedi para avisarem no rádio quando chegasse. Um dos rapazes diz que a viu sair. Não é preciso dizer mais nada.
Não duvido que ela esteja replanejando seus horários nesse exato momento, só para não nos encontrarmos mais.
Diana Weber tem seu lado misterioso, mas ela em si é como um livro aberto. É tão fácil decifrar aquela cabecinha.
De qualquer forma, não vou permitir que se afaste. Foi um longo tempo para me aproximar, não posso deixar que as coisas acabem assim.
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