À flor da pele
29 Deliciosa pertubação
Notas iniciais
Diana
Eu preciso dizer, esse lugar parece repleto de modelos. Até os mais velhos têm esse porte superior. As pessoas aqui são muito graciosas, acho que nunca vi tanta gente bonita e elegante em um mesmo lugar. E não me sinto deslocada. Estou bem!
Mas, mesmo estando à vontade, não dá para deixar de me surpreender quando algum cara bonito surge em minha frente. Não dá pra agir naturalmente, como um semelhante. Eles têm essa coisa, esse ar diferente, como se estivessem em um nível muito superior. E a meu ver, não estão. Se qualquer um dessa festa por ferido, vai sangrar do mesmo jeito. Mas talvez, essas pessoas, bonitas, com uma graciosidade natural, não saibam desse fato.
O cara que Ty quer me apresenta tem essa coisa sobre ele e, por um segundo, falho em minha autoconfiança. Ele está de lado para nós, observando as pessoas na sala.
O homem se vira, ele tem a máscara na mão e então tira o chapéu, revelando cabelos crespos, com aqueles cachinhos pequenos e bem fechadinhos. A pele dele é negra e isso contrasta com os olhos verdes. Eu acho que são verdes pelo menos. Podem ser azuis, ou cinzentos. A dança das luzes deixa-me confusa. Ele usa uma camisa branca, gola v, com tantos babados quanto o cara bonito anterior, que Ty nem me deu a oportunidade de dar uma segunda olhada. A capa negra está amarrada em seu pescoço e desce pelas suas costas, pegando grande parte das laterais de seu corpo. Quando ele deixa sua mão sobre a cintura, ela faz um movimento tão bonito. Estou curiosa, querendo tocar o tecido e descobrir qual é.
– Tom, essa é a Diana, a amiga que te falei.
Ele me estuda por um momento, dos pés à cabeça.
– Hei, moça bonita. — O cara e encosta no corrimão das escadas, charmoso, dando uma leve inclinada para trás, chamando atenção para a abertura da sua camisa e o peito musculoso à vista.
– Oi.
– Tom. — Ele me estende a mão. Fico imaginando no que ele andou pegando até esse momento. Mas, isto é uma festa, tem muitas pessoas sujas e nada preocupadas com isso. Ou aprendo a ignorar, eu terei uma noite infernal.
Apoio a minha bolsa abaixo do meu braço e aceito a mão dele.
– Prazer em conhecê-lo, Tom.
– O prazer é todo meu. — Ele passa a língua pelos lábios.
Uau! Isso é sexy. Será que Theo faria tal gesto? Imagino que se fizesse, causaria alguns efeitos... Perigosos. Se Tom, recém conhecido, gato desse jeito, já me faz tremer nas bases, imagina o cara por quem tenho tido uma certa... Tara por todos esses meses...
– Ok, vejo vocês depois. — Tyler diz e se afasta, me deixando sozinha com o tal de Tom.
Parece que meu amigo já tomou uma decisão.
Tom sorri, mostrando os dentes claros e bem retinhos.
– Ok, então...
Dou de ombros e sorrio. Ele desce as escadas e me oferece o braço.
– Bem, Diana, está gostando da festa? — Pergunta galanteador, me fazendo andar entre as cortinas, sempre me puxando discretamente, quando algum dos tecidos está a minha frente.
– Cheguei a pouco. Acredito não ter permanecido o bastante para formar uma opinião. Mas, parece animada.
Ele para e se vira pra mim.
– Posso? — Aponta para minha taça semivazia e mal percebi que bebia. Tenho que tomar cuidado, ou estarei bêbada antes da meia-noite.
Entrego a taça a ele, que deixa na bandeja de um garçom que passa por nós. Seguro minha bolsa e os acessórios na mão esquerda, e quase os deixo cair quando ele toca meu pulso e o direciona para seu ombro. Sua mão direita captura a minha e então, com uma olhada á nossa volta, percebo que estamos na pista de dança. Só nós nesse momento. E ele começa a se movimentar, me levando junto. Fico tão envergonhada que as palavras travam em minha boca.
– Eu... — Tento dizer, mas então vejo uma caixa vermelha se movimentar. Quando terminamos o giro, que sou obrigada a dar, consigo dar uma olhada na caixa. Ela continua em movimento, nas mãos de um homem mascarado. É meu presente, disso tenho certeza.
– Estamos inspirando, isso é bom! — Tiro o foco do presente e olho na pista de dança. Têm outros dois casais dançando agora.
Felizmente a música é calma e não é necessário nenhum passo mais elaborado. Não que eu não saiba dançar. Acho que aprendi a dançar antes mesmo de ler. Minha mãe sempre achou algo importante na educação de uma mulher. Eu não poderia discordar mais. Em todos esses anos não usei tais conhecimentos para nada. Não gosto de sair e mesmo que gostasse nada do que aprendi se aplica ao que a sociedade chama de “dança” hoje em dia.
– Você dança bem!
Começo a rir.
– Balançar de um lado para o outro, qualquer um pode! — Afirmo e ele me surpreende, me empurrando, sem soltar a minha mão, e me puxando para junto dele, girando-me antes de encaixar-me, perfeitamente, a seu peito.
– Uau! — Digo constrangida e segurando firme a ele, para não ser surpreendida uma segunda vez. Ou deveria dizer terceira? — Não faça, mais isso, por favor! — Imploro, mas sorrindo. Devo admitir, eu gostei disso.
– Prometo pensar sobre isso. Então, Diana, me fale sobre você.
Essa é uma daquelas perguntas que me deixa com a pulga atrás da orelha. Acho que é normal um estranho perguntar sobre sua vida para puxar papo. Mas é simplesmente tão bizarro! O que eu devo dizer? Meu endereço? Minha comida favorita? O nome dos meus familiares? É tudo tão particular e privado que não sei como ser simpática falando sobre mim. Parece invasão de privacidade. Aliás, é!
– E que tal falarmos sobre você? — Desconverso. — Tom é apelido? Abreviação de Thomas, certo?
Ele me gira, me mantém um pouco separada, para poder me olhar nos olhos enquanto falamos.
– Exato, Thomas.
– Conte-me alguma história. — Peço, tentando manter o foco longe de mim.
– Temo não ter grandes histórias para contar, sou tão calmo e caseiro quando um urso hibernando.
Sorrio, eu gosto disso. Eu me trancaria em casa e nunca mais sairia se pudesse.
– Irmãos? — Pergunta-me.
E ai está ele de novo. Invadindo minha privacidade... Devo levar isso como uma ofensa ou apenas como falta de assunto?
– Bem... Uma só. Você tem?
Ele concorda.
– Três irmãos mais velhos e uma mais nova.
– Uau! Ela deve ser uma garota superprotegida.
– Superprotegida? Você tem uma visão muito boa sobre os homens. Eu diria que ela é uma boca suja, sem modos algum, quase um garoto! Conviver com homens pode ser mais prejudicial à saúde do que imagina.
Eu estou gargalhando, levo um momento para perceber isso. Faz tanto tempo que não me deixo levar assim. É bom conversar só por diversão, às vezes.
– Quer dizer que vocês não espantaram cada pretendente que ela teve e no baile da escola, um de vocês a acompanhou?
Ele morde o lábio.
– Talvez... Mas veja, ela nunca reclamou realmente. Fazer bico não significa nada! E sobre o baile, em nossa defesa, ela preferiu ir comigo, porque o cara que estava vendo naquele tempo, não combinava com seu vestido. Vê? Não fomos tão ruins. Ela que optou...
– Ok, se você está dizendo, eu vou acreditar.
– Obrigada! Ela veio comigo hoje, vou apresentá-las assim que possível. Então você tira suas conclusões.
– Est... — Sou empurrada por alguém, que aparentemente se chocou contra nós.
Tom me segura para que eu não caia.
O homem que esbarrou em nós está parado do nosso lado. A primeira coisa que chama atenção é o meu presente embaixo de seu braço. A segunda... Tá. Vou admitir, só porque é feio mentir. A primeira coisa que eu vejo é a calça apertada, cor vinho, dando um bom vislumbre de coisas anatômicas escondidas ali, a segunda foi o presente. Em seguida o peito duro, escondido por um colete florido e casaco longo, da cor da calça. Em seu rosto uma máscara que ocupa apenas metade de seu rosto, mas deixa a boca de fora. Parecida com a dos garçons, só que mais charmosa. Ou, talvez não seja a máscara que dê o charme, talvez seja a pessoa por baixo dessa fantasia.
– Suma, Müller, já se divertiu demais. — O homem vestido de fantasma da ópera diz. Eu reconheço sua voz, estava esperando para ouvi-la desde que pisei nessa casa.
– Mas veja só, Blake, os anos não estão te ensinando a ser educado, como eu pensei que fariam. Acho que é um caso perdido.
– Nem tudo tem conserto, Dr. Algumas coisas precisam ser aceitas do jeito que são.
Apesar das palavras afiadas, o tom deles é de brincadeira. Companheirismo.
– Te deixo em boas mãos. — Tom me diz e fazendo uma reverência, provavelmente entrando em seu personagem, ele se afasta um pouco, dando espaço para Theo, que me estende a mão. — Você quer que eu cuide disso, cara! — Tom aponta para a caixa embaixo do braço de Theo, meu presente.
– Não, está exatamente onde deveria estar.
Tom ri e dá um tapa amigável no ombro de Theo, então se afasta.
Theodor, que parece ter a mesma altura do Tom, fica quase cara a cara comigo, por causa dos meus saltos. Embora ainda tenha a vantagem de uns cinco centímetros.
– Oi. — Digo, feliz em vê-lo finalmente. Acho que feliz demais, inclusive, porque sua careta se suaviza instantaneamente.
– Oi — Ele sorri, acho que estou seriamente encantada pelo sorriso dele, mas não consigo corresponder sem ficar corada e lembra-me da noite tensa de ontem. Será que Theo está chateado ou assustado pela forma que eu me comportei? — Eu preciso perguntar, do que é que está fantasiada?
Estamos parados na pista de dança, agora com uns cinco casais dançando animados.
– Bem... — Pego o arco que seguro com a bolsa e coloco na cabeça, ganhando, assim, um par de chifres vermelhos. Ergo o tridente pequeno vermelho, não muito maior que minha bolsa de mão, e o chacoalho por um momento. E se o sorriso que fui recebida já era de quebrar corações, esse então... Eu acho que esqueço de respirar por um momento.
– Ah, Dia... Espero que me infernize muito essa noite.
– Isso foi muito clichê!
Ele dá de ombros.
– E a escolha do Tyler foi guardada para mais tarde, certo? Uma segunda troca, apenas para meus olhos.
– Vai sonhando Theo!
– Já estou, desde ontem...
Abro a boca para retrucar, mas o que dizer? Eu usaria aquilo para ele. Claro que se ele estivesse muito bêbado e achando que é um sonho, e eu tenho que estar um pouco alta também. Mas não é impossível.
Mas que estupidez eu tô pensando agora?
– Me acompanha? — Ele me oferece o braço e continua com o presente que eu dei firme no outro.
Me apoio nele e o acompanho. Terceiro braço que recebo na noite. Sem escândalos até o momento, sem afobação por estar entre tantas pessoas desconhecidas. Parece que finalmente terei um momento de paz, com chances de me divertir realmente.
Theo me guia através dos tecidos sedosos, ao contrário de Tom, ele não me desvia deles ou os segura. Ele parece é se divertir cada vez que um desliza entre nós e bagunça meu cabelo. Seus olhos estão a todo momento sobre mim. Me sinto despida toda vez que ele faz isso, mas começo me acostumar com a sensação e... A gostar.
– Então isso é um baile de máscaras?
– Não! — Ele afirma. — Mas, os sócios sem graça e sem criatividade se esforçaram, devo dizer. Acho que vi um Jason de terno em algum lugar e uma Rainha de Copas!
– Esse foi o máximo de esforço?
– Sim. O resto deve ter pedido para as secretárias, que muito organizadas, foram pedindo para as assistentes, até que chegou a um certo departamento, de uma única pessoa, que muito esperta, encomendou tudo pela internet, no mesmo site, quatro modelos diferentes de cores sortidas, só para disfarçar.
O encaro, desconfiada.
– É muita informação. Precisa demais, inclusive. Você checa os e-mails dos empregados?
Ele pisca e então olha para frente, tentando esconder o sorriso.
– Isso não é crime?
– A empresa é minha! Os computadores, a internet que usam, não é crime que eu cheque o que é meu.
– Um homem controlador, Theodor. Quem diria?
– Não posso concordar com controlador, implica em muitas coisas essa palavra. Mas, às vezes temos que manter um olho no que é nosso, para que não se perca.
Estamos do lado de fora, onde as tendas estão montadas. Começamos a andar pelo centro, indo em direção a ultima tenda, onde Terry foi deixada.
– Você se atrasou. — Ele comenta.
– Não é controlador, mas sabe que eu me atrasei... — Brinco.
– Essa festa está parecendo um velório, então, me desculpe por sentir falta de boa companhia e esperar, ansiosamente, por ela.
Uau! Boa companhia, é? É bom ouvir isso.
– Escuta. — Ele diminui o passo quando estamos no meio do caminho. — Eu sinto muito por ontem. — Eu fiquei pensando mais cedo, se tocaria no assunto ou não. Decidi que era melhor deixar para lá, como ele fizera na noite anterior, mas agora, tão à vontade e ele sendo tão agradável, parece o momento perfeito para isso. — Você não tinha que ver aquilo...
– Diana.... — Pressiono meus dedos em seu braço, e nego, o fazendo se calar.
– Eu fico feliz que viu e que tenha ficado comigo. Eu realmente precisava daquilo.
Ele baixa sei braço, o qual estava apoiada, e toma minha mão, beijando as costas dela, sobre um daqueles adesivos, que escondem meu momento de nervosismo de ontem.
– Quando precisa...
Concordo, emocionada pelo gesto.
Theo desvia da tenda movimentada no final do corredor, ele entra em uma antes, está vazia. Tem um sofá claro e confortável e mesinhas de vido em cada lado. Na base da tenda, há luzes de LED enroladas até em cima. É bonito, aconchegante e já não tem cara de ter a mão do Ty.
– Por favor. — Paramos na frente do sofá e me separo dele, de sua mão quente que ainda segurava a minha, me sento e espero que ele se coloque ao meu lado, mas então ele aponta para fora da tenda e faz um gesto, só depois se ajeita a meu lado.
Segundos depois, um garçom entra e deixa uma taça em cada uma das mesinhas de vidro.
– Obrigado. — Theo agradece e o homem se afasta. Agora, sem aquelas luzes coloridas e malucas dançando, e atrapalhando a vista, posso estudá-lo melhor e olha, ele está ainda melhor do que eu imaginava. Exceto pelo cabelo, que foi penteado para trás. Eu gosto dele bagunçado e preciso me segurar para não estender a mão a despenteá-lo.
– Então – Puxo assunto. — Por que está andando com essa caixa para cima e para baixo?
Ele sorri, dá um gole em sua bebida, deixa a taça de lado e então se volta para mim. Coloca a caixa no sofá, entre nós. Deixo minha bolsa e tridente sobre a mesinha do lado e o encaro, mas dessa vez ele não olha mais para o presente, está olhando para mim, e não é para meu rosto.
Sigo seu olhar e o descubro fitando meu corpete. Puxo o blazer e o tampo, Theo levanta seu rosto.
– Mas o que é isso que você tem aí embaixo, Dia? — Ele se inclina, levemente, com a mão vindo em direção a meu blazer.
– Não se atreva! — Tento soar ameaçadora. Ele senta direito.
– Em algum momento, Dia... Em algum momento, pode ter certeza.
Suas palavras soam como uma ameaça. Uma que eu gostaria, em meu íntimo, que fosse cumprida. Theo tem esse efeito sobre mim. Ele me faz desejar o que não devo.
– E o presente...? — Mudo de assunto.
Ele volta sua atenção para a caixa vermelha, agora sem laço, que olhando bem, nesse momento, parece um presente de natal. Poxa, eu poderia ter escolhido uma outra cor...
Theo tira o livro e o avental de dentro. Ele ergue cada um ao lado de seu rosto, sem olhá-los. Claramente já o abriu antes e sabe do que se trata.
Sorrio e dou de ombros.
– Não é o que você está pensando! — Digo, estendendo a mão e pegando o livro.
Na capa do livro lê-se “Receitas para pegar mulher”. É de um chefe brasileiro, Guga Rocha. Quando o vi na vitrine, tudo que conseguia pensar era em fazer esse livro chegar às mãos do Theo. Sabia que ele acharia engraçado e o sorriso em seus lábios só confirma isso.
Abro o livro e folheio entre nós, apontando receitas, com ingredientes e modo de preparo. Sem contar outras dicas interessantes.
– É um livro de receitas, vê? Nada impuro como sua mente deve ter julgado.
– Admito, minha ideia e o conteúdo estão em desacordo. Mas e isso? — Ele ergue o avental mais uma vez. Nele há um homem das cavernas com um porrete nas mãos estampado.
– Isso quer dizer exatamente o que parece, homem!
Esse avental estava exposto junto com os livros de culinária. Eu lembrei dele na mesma hora, me chamando de “Mulher!”. O próprio homem das cavernas.
Talvez o presente tenha sido bobo...
– Adorei! — Ele conta, alegre. — Mas faltou um cartão! Só soube que era seu porque a vi colocar na mesa.
Ele já havia me visto quando cheguei... Sempre me observando...
– Em minha defesa, eu esperava entregar em mãos.
– Bem, a verdade é que eu saberia que é teu de qualquer forma.
Theo ergue a tampa da caixa e a cheira.
– Tem o seu perfume. — E então se aproxima, deixando seu rosto bem próximo ao meu, tocando uma mexa de meu cabelo e levando próximo ao nariz.
Será que ele não percebe que tem muitas pessoas ao nosso redor? Embora a falta de vento tenha acalmado os tecidos da tenda e eles estejam caídos pesadamente ao nosso lado, nos dando algum tipo de encobrimento. Mas qualquer pessoa pode passar na frente e nos ver. Imagina se alguém tira uma foto, não acho que seja bom para ele.
Me precipito para trás, para longe, mas ele me segue, se inclinando mais.
– Eu já disse o quanto está linda? — E o maldito sussurro que me derrete está de volta...
– Acho que... — Minha voz não ajuda, fica fraca, um sussurro, como a dele. — Acho que você esqueceu...
– Mas que tolo eu sou.
Eu sei que o Ty falou pra me afastar... Mas... Não precisa ser agora, certo? Sem contar que ele deve ter exagerado, só para variar. Deve ter visto um caso que não acabou muito bem e marcou o Theo como mau elemento. Provavelmente. Certo?
Certo?
– Você está linda... — Então sinto sua mão roçando minha barriga. Tentando abrir meu blazer, de novo. Não sei se fico ofendida ou se acho engraçado. De qualquer forma, dou-lhe um tapinha na mão.
Theo se endireita e estreita os olhos para mim.
– Em algum momento você vai ter que me deixar ver...
– Não vou não...
– Ah, você vai! — O sorriso malicioso que se instala em seus lábios me faz derreter. E é sério. Estou derretendo!
Eu não me sinto muito confortável com essas reações naturais do meu corpo. Estou excitada, me sinto úmida entre as coxas e, pela primeira vez no dia, estou desconfortável. Será que homem sabe dessas coisas? Tipo, sentem cheiro ou algo assim?
Isso seria muito bizarro!
Theo coloca sua mão sobre a minha, com o presente na frente, as escondendo. Eu não deveria, mas eu sorrio para ele. Feliz pelo gesto. E nem sequer paro para pensar sobre os germes. Ok, mentira! Estou pensando nesse instante! Mas, eu não estou incomodada. Eu gosto.
Eu gosto muito, na verdade, quando ele me toca. Acho que está na hora de admitir, querendo ou não, que Theodor Blake mexe comigo. De formas que eu nunca imaginei serem possíveis.
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