–Quem são vocês? -Perguntei ainda com a mochila nas mãos

–O que esta acontecendo? -foi a vez de um menino perguntar, ele tinha cabelos negros e olhos cor de mel, parecia ter a minha idade, uns dezoito anos, vestia roupas comuns, apenas uma camisa polo e bermuda. Todos pareciam ter recebido a mesma mochila

–Abram as bolsas, rápido! — gritou uma garota com cabelos cor de fogo

Nós colocamos a bolsa no chão e abrimos. A minha continha uma camiseta branca, uma corda enrolada, um isqueiro e três potes, vermelho, azul e verde, tentei abri-los porém era impossível, pareciam ter sido fechados com uma super cola. Olhei o fundo da mochila procurando mais alguma coisa, mas não havia nada além de um bilhete.

– A minha tem um bilhete — falei — alguém mais tem ?

Todos começaram a procurar, a garota de cabelos de fogo despejou todo conteúdo de sua bolsa. Nada. Os outros fizeram o mesmo. Nada.

–Temos uma premiada — falou um menino de pele negra, ainda não havia reparado nele, parecia fazer o tipo engraçado do grupo, talvez fosse bom ter alguém assim para não pirarmos de vez -Leia-o

Então eu peguei o bilhete, em uma folha branca comum com letras azuis estava grafado o seguinte:

Crianças prestem bastante atenção no que vou dizer-lhes. Foi dado a cada um de vocês um certo poder, sim, poder, vocês descobrirão no decorrer da viagens o que cada um é capaz, usem seus poderes com sabedoria,deixo claro antes que se animem que assim que terminarmos a viagem e vocês acharem o vírus voltarão a ser pessoas normais. Os potes em suas mochilas são ajudas básicas, eles se adéquam ao que vocês precisam e só podem ser abertos quando realmente necessário. No decorrer da viagem vocês encontrarão ajudantes do mundo celestial, o mundo a qual vocês pertencem temporariamente. Não quebrem suas cabeças tentando entender quem sou ou o que é o mundo celestial, apenas sigam viagem, sugiro-lhes que comecem indo para o norte.

Atenciosamente Cristal

Assim que terminei a leitura, as letras caíram uma por uma da folha e despareceram no ar como mágica, deixando a folha em branco novamente.

–Mas que mer..

–Opa, sem palavrões gracinha, sou um menino puro e bem educado, não se altere — o menino negro falou para mim.

–Como você consegue ficar tão calmo, cara? Olha o que esta acontecendo!

–Não estou calmo! Mas que opções temos? Enlouquecer ou fazer o que eles mandam!

Ele fechou os punhos com força — mas que droga! — Suas mãos então explodiram em chamas, ele estava de olhos fechados e com certeza não percebera. Demos um pulo para trás e olhamos assustados, ninguém conseguia abrir a boca. Ele abriu os olhos e notou nosso medo.

– O que foi? Perguntou

Olhamos para suas mãos e ele fez o mesmo em seguida

–Car... .amba!- gritou pulando para trás e caindo no chão, levantou as mãos ainda em chamas em frente ao rostos, elas tinham uma chama azul, envolta de uma laranja, um laranja tão forte quanto os cabelos da menina ao meu lado. Ele sacudiu-as fazendo as chamas se apagarem e se acalmando quase que instantaneamente- acho que já descobrimos o que aquela velha deixou para mim.

Temi o que viria para mim, podia ser qualquer coisa, talvez eu me transformasse em um animal feroz, ou em um animal não tão feroz, ou talvez não me transforme em nada, o jeito é esperar para ver.

Parece que todos estávamos tendo o mesmo pensamento, por que ficamos em silencio, olhando para um ponto no nada.

Reparei que havia uma menina que não falara ate o momento, ela tinha cabelos loiros e usava um vestido florido, parecia ser a mais nova do grupo.

–Talvez devêssemos nos conhecer antes de começar com isso. -O primeiro garoto quebrou o silencio — Meu nome é Alex Christian tenho dezoito anos e sou do Colorado, Estados Unidos.

–Colorado? -Perguntei- onde estamos?

–Qual o seu nome? Ele perguntou

–Laura Nóbrega — respondi — tenho dezoito anos e sou Brasileira, mas estou morando por um ano na Flórida

–Meu nome é Michel Lueji — O garoto negro prosseguiu -sou da Angola e falo inglês fluentemente aparentemente

– Que língua se fala na Angola, Angolês?-Alex perguntou

–Português, igual ao de Portugal, mas eu posso falar com a gracinha ai na nossa língua e vocês não entenderão nada.

–Já falei que meu nome é Laura

Não gostava arrogância de Michael, mas se fosse obrigada a aguentar eu o colocaria no eixo.

–Bem, meu nome é Jennifer Gwin — a garota dos cabelos de fogo- sou do Canadá, tenho dezessete anos.

Nós olhamos para a garota loira, era a única que faltava, ao notar que era o centro das atenções levantou o olhar ingênuo, ponderou para falar

– Eu entender vocês ruim, sou russa. Kinka

Presumi que Kinka fosse seu nome, seu inglês era péssimo e possuía um sotaque estranho que deixava a fala engraçada, mas uma coisa me preocupou, se ela não entendia a nossa língua, entendia menos ainda o que estava acontecendo.

–Ela não deve estar entendendo nada — Alex leu meus pensamentos

–Sorte dela — Michel se levantou e caminhou ate o fim da rua, sozinho.

–O que vamos fazer? Perguntei para Alex, que me olhou com os olhos claros, não tinha percebido ainda, mas ele era realmente muito bonito.

–Vamos fazer o que eles querem como o Angolês ali disse, não temos outra opção

Não sabia dizer se o termo Angolês estava certo, tinha muitas razões para crer que não, no entanto isso não importava, estávamos presos no desconhecido e nossa única alternativa era fazer o que tínhamos sido orientados.

–Parece que somos cada um de uma parte do mundo, por que isso? E essa historia de poderes? Vou enlouquecer.

–Eu sei – foi tudo que consegui dizer

–Vamos logo com isso! -Michel voltou em passos rápidos, se abaixou e arrumou o conteúdo na mochila, nós seguimos seu exemplo e nos pusemos de pé. Ele deu a mão para ajudar Kinka que pós sua pequena mão pálida sob a dele e se levantou.

–Por aonde vamos? — Jennifer perguntou

–A velha mandou seguir a norte — Michel respondeu

–Então vamos a norte! Pra onde é o norte?

Michel tirou uma bussola do bolso

–Você sempre anda com uma bussola no bolso?

–Faz parte do meu trabalho boneca de porcelana

–Meu nome é Alex

–Que seja

Ninguém perguntou qual era o trabalho de Michel e por mais que eu estivesse curiosa deixei a pergunta para depois, apenas colocamos a mochila nas costas e seguimos em direção ao norte. Seria uma longa viagem

Notas finais
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