À Primeira Vista

1 À primeira vista


Notas iniciais
Olá e obrigada a todos que passaram por aqui. A música que abre a fic é "À primeira vista" de Chico César. Essa fic é mais uma para o desafio dia dos namorados. TEMA: Amor à primeira vista. Casal: Aiolia e Mu, então se não gosta, melhor fechar a página. Fan fiction NÃO BETADA, então, por favor, perdoem os possíveis erros. A todos que passarem por aqui, boa leitura e divirtam-se!Sion Neblina

À primeira vista

Fanfiction de Sion Neblina

Romance Yaoi

Quando não tinha nada eu quis

Quando tudo era ausência esperei

Quando tive frio tremi

Quando tive coragem liguei (...).

Quando me chamou eu vim

Quando dei por mim estava aqui

Quando me achei me perdi

Quando vi você me apaixonei

Era uma tarde calma e ensolarada, mesmo sendo inverno ainda. Um jovem de longos cabelos jogava alguns caroços de amendoins para os pássaros que voavam naquela praça bela e arborizada. Seus cabelos bailavam a brisa e refletiam o pôr-do-sol. Percebeu que alguém se sentou ao seu lado, mas não se voltou, continuou com a tarefa de alimentar os pássaros.

— Olá...

Ouviu a voz agradável e respondeu ainda sem se virar:

— Olá.

— Sabia que essa praça é chamada da praça do amor? — Perguntou o estranho e mesmo antes que ele respondesse continuou — Conheço vários casais que se apaixonaram aqui e que continuam juntos até hoje.

— Sério? — Indagou o outro com escárnio.

— Sim, e dizem que as pessoas sempre se apaixonam à primeira vista.

O jovem parou e se voltou para seu interlocutor, seus olhos claros se encontraram, e ele se perdeu alguns minutos naquele mar. Suas pupilas dilataram assim como seu coração acelerou ao perceber-lhe o sorriso, e um sorriso também se estampou em seu rosto.

Atenas 2 anos depois

Chovia muito naquele final de dia enquanto Aiolia corria como louco pelas ruas de Atenas. Era o bendito dia dos namorados e tudo parecia estar fechado naquele final de tarde. Não havia ninguém nas ruas, somente o barulho de seus sapatos dentro das poças d’água era ouvindo. Não que fosse um dia ruim. Havia recebido uma promoção no trabalho, soubera que tivera ótimas notas na faculdade, mas a conversa incessante dos amigos à respeito do dia dos namorados, quando você não tem namorado... Confessemos! É meio estranha, principalmente quando você levou um chute da namorada, bem no dia dos namorados passado!

Havia um ano que terminara com Marin. Não havia mais o tesão do começo e a afinidade entre eles não era das melhores. Ambos eram dominadores e a relação acabou desabando no abismo da traição. Demorou a se recuperar, se fosse sincero consigo mesmo, diria que ainda não se recuperara, mas agora ele se orgulhava por ser um homem livre e sem nenhum interesse em estar com um novo alguém. Queria tranqüilidade e como vinha acontecendo, uma transa de vez em quando e mais nada.

Aquilo não era mesmo difícil para ele, diga-se de passagem, seus atributos físicos eram invejáveis, mas isso não preenchia o vazio que sentia e a amargura que a última relação lhe deixou. Ele amara de verdade, amara muito e saíra ferido demais.

O único problema? O bendito dia dos namorados e a mídia insistente o empurrando ao consumo com suas cenas românticas e démodés que arrasavam seu coração ferido.

Ele queria só por um momento naquele dia, esquecer que não tinha namorada! Que fora traído, que a filha de uma mãe que ele exibira como namorada, um título mais que honroso, levando em conta o quanto Aiolia era cobiçado, o traíra sem nenhuma consideração.

Desceu a rua correndo, não mais preocupado em se esconder da chuva que caía sobre a capital grega. Estava quase chegando ao prédio quando algo chamou sua atenção: sentado num banco na praça de frente ao prédio onde morava, um rapaz mirava o céu sem parecer se importar em já estar completamente ensopado.

Seus olhos verdes de enormes cílios negros piscavam vez por outra para espantar as gotas de chuva que se empoçavam ali. Ele vestia um casaco branco, calça jeans e tênis all star, seus cabelos eram claros de uma cor curiosa, assim como sua pele que estava pálida pela chuva.

- Hei, cara! – Aiolia chamou e viu os olhos transparentes se voltarem para ele com certa confusão. – Tudo bem? – Gritou contra o barulho da tempestade.

O garoto o olhou por um tempo, antes de responder quase num murmúrio, tanto que ele só soube o que ele dizia pela leitura dos seus lábios.

- Tudo bem...

O grego empertigou-se e seguiria seu caminho, mas ao ouvir a voz do rapaz foi obrigado a ficar no mesmo lugar.

- Obrigado por se preocupar. Feliz dia dos namorados...

Ele então se aproximou do garoto, movido por uma sensação estranha de curiosidade e fascínio. Ao chegar mais perto, notou o quanto ele era belo e que seus traços eram quase infantis.

— Obrigado, mas acho que não será. Não tenho namorada... — respondeu puxando assunto.

O garoto que permanecia sentado estranhou a cordialidade e o interesse daquele homem, mas... Bem, não estava muito disposto a pensar naquilo...

— Me chamo Aiolia e você?

— Mu...

— Você não acha melhor sair dessa chuva, Mu? Pode ficar doente...

— Eu estou esperando algo...

O grego ficou pensando o que seria “algo”? Geralmente só se espera alguém, e alguém muito importante para suportar aquela chuva toda!

Um relâmpago clareou o céu, e Aiolia que também já estava completamente ensopado colocou as mãos no quadril.

— Olha, sem querer ser intrometido e já sendo, meu apartamento é naquele prédio. — Apontou para o local — Caso queira, pode vir comigo, de lá há como ver se alguém ou algo chegar aqui.

Mu o mirou por mais um tempo, mas o grego não pode ver nada em seus olhos.

— Tudo bem. — disse com sua voz meiga e tranqüila – Obrigado, eu... eu já estou realmente cansado de esperar...

Ele se ergueu, fazendo Aiolia perceber que era alto, mesmo sendo magro. Ao contrário do que pensou, Mu deveria ter mais que 18 anos.

— Vamos. — Disse apontando para o prédio. O rapaz o seguiu calado a alguns passos atrás de si. Passaram pela portaria e subiram pela escada para o apartamento que ficava no segundo andar.

— Está meio bagunçado. — Desculpou-se Aiolia enquanto acendia as luzes, mas Mu não parecia se importar com isso, se aproximou da janela e mirando o céu nevoento.

O leonino pensou em perguntar o que ele tanto esperava, mas achou melhor ir pra cozinha e preparar capuccinos quentíssimos para os dois. Pelo caminho se livrou da camisa e dos sapatos e meias.

— Se quiser se trocar, o quarto fica no corredor, sei que minhas roupas ficarão largas em você, mas é melhor que pegar um resfriado... — disse e então algo passou por sua mente: havia levado para casa um completo estranho e já o tratava como se fosse um amigo. Será que estava louco? Sim, os amigos sempre o advertiam que era muito confiado, mas estava exagerando. Se bem que Mu não lhe parecia nada ameaçador e também aceitara ir pra casa de um estranho que era bem mais forte que ele. Se tinha ali alguma pessoa louca, com certeza não seria Aiolia.

Além disso, fora quase mística a afeição que sentiu pelo rapaz assim que pôs os olhos nele.

Mu continuou mirando a noite tempestuosa pela janela, tremendo levemente de frio e ignorando o dono da casa. Seus olhos verdes não se afastavam do céu nublado.

— O que tanto espera ver? — perguntou o leonino já curioso com aquele olhar contemplativo do outro rapaz.

Mu suspirou com certa tristeza e deixou escapar um sorriso melancólico.

— Eu havia marcado com uma pessoa aqui essa noite, mas ele não apareceu... Então achei... vai parecer bobo, mas achei que o céu poderia me dar algum sinal do que ele queria me dizer...

Aiolia que segurava duas canecas com capuccino franziu as sobrancelhas. Aquele rapaz era realmente estranho, tudo bem que levar um bolo era chato, mas esperar debaixo daquela chuva era insano. Além do mais, qual sinal ele queria?

O grego não era do tipo que acreditava em anjos, fadas, duendes ou coisas do tipo, então não via lógica nenhuma nas palavras de Mu.

— Ele não te merece, se o deixou esperando. — sentenciou depositando as canecas na mesa de centro e segurando a mão pálida de Mu — Venha, tire agora essas roupas ou vai se resfriar. — Ordenou — Seja lá quem for esse cara, isso não vale a pena.

Mu se deixou guiar apático para o confortável tapete no meio da sala. Sob o olhar confuso de Aiolia ele tirou a camisa molhada, exibindo o corpo magro, mas bem delineado por músculos perfeitos, mas nada excessivos.

— Onde coloco? — indagou o ariano lhe estendendo a peça molhada.

— Tire a calça também, venha comigo até o banheiro, tome um banho quente e se cubra com um roupão até que suas roupas sequem.

O garoto obedeceu. Minutos depois, sentados no tapete, eles experimentavam o capuccino, Mu, ainda estremecia de leve, de frio, pois seus longos cabelos lilases estavam úmidos. Aiolia o encarava com uma expressão curiosa.

— Por que pinta os cabelos dessa cor?

— Eu não os pinto, eles são dessa cor mesmo, embora ninguém acredite. — respondeu e o leonino sorriu. Gostava da forma meiga e tranqüila que aquele garoto falava, mas gostaria de entender a tristeza em seu olhar. Com certeza era pelo namorado que o deixara sozinho na chuva em pleno dia dos namorados. Aiolia sem saber por que, já nutria grande ódio pelo tal cara, como alguém era capaz de deixar uma gracinha como Mu sozinho e triste daquele jeito? E ele que achara que estava num dia ruim por estar sem namorada em pleno valentine's day.

— Como assim?

— Os médicos disseram aos meus pais que era alguma anomalia na pigmentação, fiz vários exames, mas nunca se descobriu nada de errado comigo e como meu desenvolvimento era normal, eles acabaram esquecendo o assunto*.

— São bonitos. — sorriu Aiolia e sentiu uma terrível vontade de descobrir se eles também eram macios, mas corou com os próprios pensamentos e resolveu terminar seu capuccino.

Mu não respondeu, também levou a caneca aos lábios e eles ficaram em silêncio por algum tempo, quem o quebrou foi o visitante que olhou dentro dos olhos de Aiolia.

— Como soube?

— Soube o quê? — indagou o grego sem entender.

— Que era um homem quem eu esperava?

Aiolia corou sem jeito pensando que dera uma grande mancada e fora indiscreto. Não entendia muito bem porque achara aquilo. Mu possuía uma beleza delicada, com traços infantis e suaves, mas não era afeminado e nada em sua postura sugeria que fosse homossexual; não entendia porque tirara aquelas conclusões.

— Você respondeu com evasivas quando indaguei sobre a pessoa que esperava. — Tentou achar alguma explicação lógica — Geralmente não se fala “uma pessoa” e sim uma mulher, só falamos isso quando não queremos que o outro saiba de algo...

— Fala por experiência própria?

— Não! — Aiolia riu sem jeito — Eu... eu nunca... eu não sou gay.

— Entendo. — Mu baixou o olhar para a caneca — Se minhas roupas estão secas acho que já posso ir...

O grego o viu se erguer e caminhar em direção a área de serviço, achou engraçado como ele andava com desenvoltura num ambiente tão novo. Era como se Mu sempre tivesse pertencido àquele lugar.

— Mu, espera! — Pediu se erguendo rápido e caminhando até o rapaz, o segurando pelo pulso.

Os imensos olhos verdes, tão cristalinos, “espelhos d’água” , se voltaram para ele, meio confusos.

— Aiolia, eu agradeço pelo que fez por mim. — O jovem do Tibet tentou ser firme — Eu não sei o que faria se você não aparecesse, mas... eu não quero abusar da sua gentileza, então, deixe-me ir agora...

O grego ficou confuso com as palavras emocionadas que o rapaz deixou escapar dos lábios róseos e belos.

— Você não está abusando. — Declarou sem jeito, sentindo algo novo no peito que não sabia definir muito bem o que era, mas que o levava a uma sensação de reconhecimento, como se seu destino fosse chegar exatamente naquele momento.

— Não mesmo? — A pergunta foi quase um sussurro de tão baixa, os espelhos d’água continuavam cravados nele, embora a face ruborizasse um pouco.

— Claro que não. Você não é daqui, tem lugar pra ficar?

Mu desviou o olhar. Nunca conseguia mentir, olhando dentro dos olhos das pessoas.

— Tenho sim, eu... eu cheguei a pouco do Tibet, mas tenho reserva...

— Está mentindo. — Aiolia não sabia por que tinha aquela convicção, mas a possuía com uma certeza assustadora.

Mu se voltou para ele com a testa meio franzida.

— Eu vim no impulso e não fiz reservas, mas isso não é difícil de conseguir nessa época do ano.

— Então por que não passa a noite aqui? — Sugeriu sentindo o peito acelerar.

— Não é justo... — murmurou o jovem oriental emocionado por aquela demonstração de generosidade. Achava que o universo tentava lhe dar um presente depois de todo seu sofrimento; seu lado prático tentava lhe alertar que seria errado se aproveitar da situação e abusar da generosidade daquele rapaz; mas seu lado emocional tão profundamente fragilizado, queria se agarrar aquele carinho com unhas e dentes.

Era um duelo interno. Dever: ir embora e deixar o coitado do Aiolia em paz, ele já fizera muito o tirando da chuva e o aquecendo.

Vontade: Jogar-se em seus braços e chorar e contar a ele toda a sua triste história e dizer que precisava de um amigo, de um companheiro, de alguém que se importasse.

Bem, entre as duas possibilidades, ficou como a maioria das pessoas, no meio termo.

— Eu... eu agradeço, Aiolia, eu... fico até amanhã se não for incomodá-lo muito. — Disse com um meio sorriso tímido.

O sorriso largo que o grego exibiu o deixou meio embasbacado. Um sorriso perfeito e sincero onde dentes brancos e bem alinhados diziam o quanto aquele homem era generoso e aberto. Não pode evitar sorrir também com emoção e gratidão.

— Você está com fome? — Indagou Aiolia animado. Ao menos não passaria aquela noite sozinho, chorando por Marin, deprimido, vendo TV — Eu sei fazer macarrão a bolonhesa, aliás, é a única coisa que sei fazer!

Mu riu de leve.

— Eu não como carne... — Disse sem jeito.

— Desconfiei desde o principio. — Piscou Aiolia e abriu os armários — Hum... vamos ver o que temos: carne enlatada... hum... carne, e... carne!

Mu rui mais alto e realmente descontraído.

— Tem certeza de que você não é um leão?

— Como sabe? Esse é meu signo! — Riu de volta o grego.

— Ah, só poderia mesmo, gostando tanto de carniça... Ah, desculpe... — pediu Mu ruborizando pelas palavras. Mas seu constrangimento não durou muito, porque logo o grego explodiu numa gostosa gargalhada.

— Sim, eu poderia mesmo ser um leão tamanha é minha fascinação por carne mal passada, mas isso agora é um problema, não tenho nada pra você comer.

— Não estou com fome, de verdade, obrigado. — Disse Mu — Estou apenas cansado...

— Quer dormir? Claro que sim! E eu tagarelando em seu ouvido. — Volveu o grego passando por ele para abandonar a cozinha conjugada à área de serviço. Todavia, Mu o segurou pelo braço.

Seus olhos se encontraram e como mágica ambos silenciaram.

— Eu gosto da sua companhia... — disse o tibetano — embora esteja cansado, conversar contigo está... está me fazendo sorrir depois de um ano inteiro de lágrimas, Aiolia...

O leonino sentiu o coração apertar com aquela declaração e a tristeza que lia nos olhos de Mu.

— E por que sofre tanto? Você não deveria amar tanto esse cara que nem teve a decência de vir encontrá-lo! — Irritou-se o grego, sentindo as ferroadas do ciúme embora não compreendesse o motivo.

O jovem oriental deixou uma lágrima escorrer por seu rosto, mas a limpou rápido com a mão.

— Ele não pôde... — disse Mu — eu achei que ele viria, mas ele não pôde vir...

— Então esquece, Mu! — Aconselhou Aiolia — É isso que estou tentando fazer com minha ex-namorada!

Mu suspirou e tentou sorrir. Não queria passar seus problemas para aquele gentil estranho e também não queria que ele sentisse pena de si. Tentou recuperar o controle e sorriu placidamente.

— Você a amava muito? — Indagou com casualidade.

— Hoje eu nem sei. Ela me trocou. — Deu de ombros.

— Isso deve ser duro.

— Sim é. — Replicou Aiolia que não estava com muita vontade de falar de Marin — Que tal vermos um filme bem violento que nada lembre o valentine’s day?

O tibetano riu.

— Sim, acho uma boa opção.

Ambos se sentaram no tapete novamente e ligaram a TV a cabo, começaram a assistir algo tipo “Rambo IV” e acabaram rindo das cenas ridículas de ação. Descontraíram-se e conversavam alegremente como velhos amigos. Aiolia reparou que há muito não se sentia tão bem na companhia de alguém, era como se conhecesse o tímido e simpático tibetano a vida toda. Nas poucas horas de conversas, percebeu que Mu era sensível, inteligente, doce e criativo, mesmo que muitas vezes ele caísse numa melancolia calada, vista apenas nos espelhos d’água dos seus olhos.

Já passava da meia-noite quando resolveram dormir, embora Mu tivesse insistido para que ele fosse mais cedo, Aiolia alegou que não trabalharia no dia seguinte e que ele deveria ficar tranqüilo. O tibetano se conformou e o seguiu até o quarto de hóspede, onde Aiolia arrumou a cama com cuidado e lhe emprestou um pijama que ficou realmente largo, fazendo ambos rirem da situação.

Mu se deitou e cobriu-se com o lençol, Aiolia lhe desejou boa noite enquanto trovões clareavam o apartamento. Mas depois que a porta se fechou e o belo grego foi para seu quarto, toda a dor e vazio voltaram ao peito do jovem do Tibet. Mu se encolheu na cama e tapou os ouvidos para não escutar os trovões, enquanto as lágrimas lavavam seu rosto; toda dor se derramando mais uma vez. Nem se lembrava quantas vezes já chorara...

Percebeu a claridade causada pelo acender de uma luz no corredor em frente ao quarto e em seguida ouviu as batidas na porta.

— Mu?

Sentou-se na cama e enxugou o rosto.

— Oi, Aiolia?

— Está acordado, posso entrar?

— Claro que sim! — disse fungando e vendo o rosto sério de Aiolia aparecer quando a porta se abriu.

— Está chorando? — Aiolia se aproximou e se sentou ao seu lado na pequena cama de solteiro.

— Desculpe, eu o acordei?

O leonino riu.

— Com esses trovões, eu não escutaria nem uma bomba explodindo Mu. — Respondeu com carinho — Na verdade, desculpe, mas eu senti como se me chamasse...

Os olhos verde água o encararam, e Mu entreabriu os lábios, percebendo o rosto ruborizado de Aiolia ao dizer aquilo.

— Aiolia...

— Eu não sei o que está acontecendo, Mu, mas... algo me diz que preciso protegê-lo...

O tibetano se calou, a única coisa que fez foi inclinar-se e encostar a cabeça no peito do leonino que o abraçou com carinho.

— Por que tanta dor? — Perguntou Aiolia o abraçando mais forte — O que fizeram a você que dói tanto?

— Abrace-me forte, Aiolia... — murmurou Mu — e não me deixe...

Os dedos do grego seguraram o queixo do tibetano e ele mirou o abismo de esmeraldas dos seus olhos. Os lábios de Mu tremeram quando a boca sensual do grego tomou a sua. Ele deixou que a língua carinhosa trilhasse vários caminhos sinuosos por sua boca, saboreando, ondulando a sua, acariciando-a de maneira calma. Mu ofegou e puxou Aiolia pela nuca, aprofundando o beijo e sentindo-o abraçar-lhe a cintura o puxando pra si. O tibetano vestia um conjunto de camiseta e calça de algodão e o grego apenas um short leve, por isso, um podia sentir com perfeição cada músculo do outro. O leonino gemeu de leve, separando os lábios e mirando os olhos escurecidos do rapaz a sua frente.

— Deixe-me fazê-lo parar de chorar... — pediu o dono da casa.

Mu umedeceu os lábios e os mordeu em seguida.

O grego esperava uma resposta. Um forte trovão explodiu e o tibetano voltou para seus braços o abraçando com força. Não soube bem como tudo começou, como tudo aconteceu, mas só soube que em segundos era como se seus corpos não se guiassem mais pelas ordens do cérebro e sim pelo músculo que acelerava involuntariamente no peito e pedia por carinho, carícias e afagos. Aiolia enrolou uma mecha do cabelo cumprido nos dedos, o aspirando, sentindo o aroma mesclado de orvalho e chuva e o cheiro fresco da pele clara de Mu. Começou a depositar pequenos beijos nos pescoço delgado, sentindo a pele se arrepiar e o ariano inclinar o pescoço para o lado, num pedido mudo para que continuasse; as mãos de Mu começaram a traçar círculos nas costas fortes do grego, dedilhando a pele morena e rija, enquanto os lábios de Aiolia o provava.

Mu se afastou de suas mãos e lábios e se ergueu começando a se livrar do pijama largo até ficar completamente nu. Aiolia ficou o observando, maravilhado, sentado na cama, seu membro se mostrando protuberante dentro do short branco e ele não usava cueca. Nunca sentiu seu corpo fremir de desejo tanto quanto naquele momento, olhando aquele homem lindo e nu. Mu se aproximou dele novamente e se sentou com as pernas abertas em seu colo, voltando a beijá-lo.

— Me toma Aiolia... — Murmurou inclinando levemente a cabeça e a descansado no ombro do grego, mas não ficou assim por muito tempo; segurando seus cabelos com delicadeza, Aiolia o afastou e começou a lamber e chupar seu pescoço, logo descendo por seus mamilos, enquanto as mãos afagavam-lhe todo o corpo.

Mu sentia seu corpo inteiro se arrepiar e jogava a cabeça pra trás repetindo o nome do rapaz abaixo de si em agonia. Aiolia explorava o corpo claro com carinho e luxúria mesclados em cada passada da sua língua, em cada beijo depositado na cútis branca, em cada aperto das mãos fortes; cintura, coxas, ombros, nádegas...

Mu mordiscava-lhe o lóbulo da orelha, deslizava a língua, tomava-lhe os lábios, enquanto se friccionava sobre a poderosa ereção que clamava por se libertar do tecido fino. Aiolia gemia e dançava junto com ele. Excitados, ambos sentiam as ereções pulsando rente ao corpo um do outro; o grego desceu a mão até segurar o falo de Mu que soltou um grito de prazer, enquanto ele sentia seus contornos. Aiolia o masturbou de leve, sentindo-o ficar cada vez mais excitado e túrgido. Derrubou Mu na cama para voltar a explorar a pele macia, até chegar ao local rígido que tomou na boca como guiado por um instinto incontrolável, sugando, lambendo, vendo Mu se contorcer e segurar os lençóis, achando tudo, novo e assustadoramente delicioso.

Afastou-se para mirar o rosto do rapaz oriental. Ele era lindo! A coisa mais linda que já viu!

Apoiou os braços na cama, se sentando de frente a ele, num pedido mudo. Ofegante, Mu se ergueu e voltou a se sentar em seu colo, segurando-lhe os ombros, enquanto descia com cuidado por sua ereção que já estava bem molhada. Aiolia continuava o acariciando, o masturbando, fazendo-o arder de desejo e esquecer a dor. Mu o puxou pra si, pelos cabelos, colando o rosto do grego ao seu tórax alterado pela respiração, sentindo Aiolia o beijar ali, enquanto terminava de se sentar em sua ereção.

Aiolia gemeu alto ao se ver inteiro dentro de Mu que começou a se mover devagar, de olhos fechados, com uma expressão de dor e êxtase no rosto. Aiolia se apoiou na cama, controlando a vontade que tinha de acariciá-lo. Naquele momento tudo que queria era que Mu comandasse o ritmo e ficar apenas olhando-o e experimentando o prazer sublime que seus movimentos lhe causavam.

Os movimentos do quadril ondeante de Mu aumentaram e ele gemia cada vez mais descontrolado, implorando para ser tocado, amado por Aiolia.

O grego se inclinou na cama e o beijou de forma faminta, começando a masturbá-lo e a estocá-lo devagar, levando Mu a ver estrelas no quarto.

O tibetano se agarrou aos seus ombros em delírio, gritando e dizendo palavras desconexas. Aiolia o segurou pelas coxas agora controlando o ritmo das subidas e descidas do tibetano, se arremetendo fundo nele, uma, duas, três vezes, até vê-lo gritar alto e se contrair inteiro, chegando a um orgasmo poderoso, expelindo seu sêmen sobre o abdômen de Aiolia que gritou seu nome sacudido por um violento tremor, se derramando dentro dele também.

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Abraçaram-se exaustos e ofegantes, sentiram plenos como nunca.

Continua...

Notas finais
Obrigada a todos que leram, em especial, aos que deixaram review. Dessa vez a Sion não está mentindo (cora), o próximo capítulo é o último. Notas: Na Europa o dia dos namorados é em 14 de fevereiro. Obs. A referência que fiz a "origem" dos cabelos do Mu não é invenção minha, essa maravilhosa desculpa hehehehe, pertence a Hannah Elric. Abraços afetuosos a todos. Sion Neblina Postado em 10.06.2011