À Flor da Pele -Fragmentos-
1 À Flor da Pele
Notas iniciais
Aquele garoto que sempre estava me rondando agora me persegue pelos corredores da faculdade. Bêbado, depois de uma pequena festa organizada pelos estudantes, ele me sediava a todo momento até ultrapassar o limite do tolerável. Eu não sabia mais o que fazer. Comecei a ficar apavorada, com medo do que ele poderia fazer de tão descontrolado que estava.
Corri para a guarita e rezei para encontrar alguém conhecido, mas a única pessoa que vi foi um calouro que eu acabara de conhecer naquele dia. Sentei rápido ao seu lado, em um banco de cimento, e abracei o braço dele.
— Por favor, pode parecer estranho, mas poderia fingir que é meu namorado? – sussurrei evitando olhar para o outro que me persegue – Há um cara me perseguindo.
Cerrei os olhos e esperei o medo dentro de mim, a sensação estranha que me corroía por dentro, cessar, mas somente aumentava.
— É ele?
Olhei pelo canto do olho e concordei balançando a cabeça. Nesse instante, o calouro passou o braço pela minha cintura, me assustei:
— O que está fazendo?
— Se vamos fingir que somos namorados que façamos direito – seu sussurro ao pé do meu ouvido fez correr um arrepio pela minha espinha.
— O que pretende?
Seu olhar penetrava no meu, era calmo e intenso. Ajeitou uma mecha do meu cabelo para atrás da minha orelha.
— Por favor, não faça isso comigo – um frio revirou meu estômago. Inconscientemente, apertei seu braço que me envolvia.
— Por que não? – retrucou com um olhar feroz e uma voz macia.
Delicadamente, deslizou a mão por trás da minha nuca e me beijou, tão suavemente que me senti livre, mas tão intensamente que tive a sensação que iríamos nos unir e nos tornar um só. Quando seus lábios cessaram e ele olhou nos meus olhos, ainda com nossos rostos colados, eu havia perdido qualquer noção de tempo e espaço. Só existia eu e ele naquele momento.
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