À Espreita nas Sombras
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Ana olhava constantemente para o relógio pendurado no alto da parede, fazia um bom tempo que Sarah e Arthur saíram do quarto e ainda não voltaram. Ela se perguntava a razão de tanta demora e imaginava que algo ruim pudesse ter acontecido com eles. Se conseguisse, sairia daquela cama e procuraria pelos dois por todo hospital, mas ela não conseguia, a única coisa que lhe restava era orar pela segurança dos dois.
De repente ela escutou um barulho na porta e a viu abrir-se lentamente, Ana sentiu-se aliviada pois acreditava ser eles que estivessem voltando, mas suas feições de alegria mudaram ao ver que se tratava apenas da enfermeira entrando no quarto.
– Olá senhora Ana! Como esta se sentindo?
– Bem, eu acho.- Ana deu um sorrisinho falso.
A enfermeira olhou pelos lados como se procurasse alguém.
– Sua família não estava aqui agorinha há pouco? Eles já foram embora?
– Não, eles saíram para pegar refrigerante e ainda não voltaram...
A enfermeira olha espantada para Ana.
– Mas a máquina de refrigerantes não fica muito longe daqui, eu duvido muito que eles tenham se perdido.
– Eu sei! Por isso estou preocupada com eles!
A enfermeira olha com compaixão para Ana.
– A senhora pode ficar tranquila, eles devem estar bem, o que poderia acontecer de mal com eles aqui no hospital?
Ana olhou-a esperançosa, talvez ela estivesse certa, que mal poderia acontecer com eles dentro do hospital?
– Obrigada! Assim fico tranquila.
– Isso mesmo! A senhora precisa repousar, mas se quiser eu posso procura-los por você.
O semblante de Ana logo iluminou-se.
– Pode fazer isso mesmo?
– Claro! Eu conheço esse hospital como se fosse a minha própria casa.
– Oh! Muito obrigada.
– De nada senhora.
A enfermeira deu um leve sorriso para Ana antes de deixar o quarto. Após fechar a porta, ela soltou um largo sorriso, suas feições mudaram tornando-se mais assustadoras e seus olhos ficaram brancos como os das sombras.
''Não se preocupe senhora Ana, eu vou trazer sua família para você, mas será apenas os cadáveres.''
E soltando uma louca gargalhada deixou o lugar. Acima dela estava uma sombra que lhe controlava todos os movimentos.
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Sarah tentou pensar numa maneira dela e do pai conseguirem escapar, mas nada lhe veio na mente, ela apenas sussurrava:
– Pa-Papai, não desista...não podemos acabar desse jeito.
'' Fique quieta menina!''
A sombra falou ameaçadoramente.
– Você...deixe minha filha em paz!
''Heh! Acha que vai conseguir alguma coisa com esses seus gritinhos?''
Em um ato de desespero Arthur gritou:
– Podem fazer o que quiserem comigo, mas deixem minha Sarah em paz!
'' O que?''
– Isso mesmo! Se quiserem podem me matar, só peço que deixem minha filha e minha esposa irem em paz!
''Hum, quer bancar o herói agora?''
– Não papai o senhor não pode!
Arthur apenas deu um leve sorriso para Sarah.
''Muito bem já que quer morrer primeiro, faremos sua vontade!''
– Não!
Sarah não conseguia mais segurar as lagrimas que agora rolavam de seu rosto. Ela olhava para seu pai que continuava sorrindo para ela, ele então lhe disse:
– Eu te amo.
– Paaiiiiiiiiiii!
Aquela situação de desespero deu uma grande força para Sarah. Ela levantou-se e começou a caminhar a passos lentos e arrastados em direção ao pai.
'' O que! Como ela esta conseguindo se mexer?''
As sombras olhavam incrédulas para Sarah. Ao que parece ela estava recuperando seus movimentos que ate então estavam sendo restringidos pela sombra.
– Eu não vou deixar vocês fazerem o que quiserem!
'' Não pode ser! Eu não consigo me mexer!''
– Sarah!
Ao ver a determinação da filha, Arthur também encheu-se de coragem e lutou para recuperar seus movimentos.
'' Impossível! Ele também?''
– Escutem suas sombras idiotas! Não são as sombras que controlam os humanos! São os humanos que controlam as sombras, tudo o que vocês fazem é imitar nossos movimentos!
Diante das palavras de Sarah e sem poderem se mover por livre e espontânea vontade, as sombras foram obrigadas a desistir e irem embora e ao deixa-los, as sombras de Arthur e Sarah recuperaram seu aspecto normal. Estando finalmente livres o pai e a filha correm para se abraçar.
– Papai eu pensei que fosse o fim.
– Esta tudo bem Sarah, acabou e eu estou muito orgulhoso de você.
Para a falar a verdade Arthur estava mais surpreso do que as sombras pela demonstração de coragem vinda de Sarah, ele nunca poderia imaginar que ela pudesse ter uma reação assim depois daquele terrível incidente em que fora mantida como refém e isso o deixava realmente impressionado.
Os dois continuariam abraçados por um bom tempo se não tivessem ouvido uma voz os chamar.
– Oh! Então é aqui que vocês estão! Eu os estive procurando por todas as partes.
Sarah e Arthur olharam para a pessoa que os havia chamado e viram uma enfermeira correndo na direção deles.
– Estava nos procurando?
– Sim senhor! Sua esposa me pediu para que viesse procura-lós.
– Ah! É verdade, temos que voltar. Vamos Sarah!
Sarah olhou para a enfermeira e teve um mau pressentimento, mas ela não falou nada, podia ser só a sua grande desconfiança pelas pessoas ter ficado mais forte devido ao ataque que acabara de sofrer. Ela acompanhou o pai e a enfermeira sem dizer uma única palavra.
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