Notas iniciais
Oioi galerinha, espero que gostem!
Estou a procura de alguém para me ajudar a escrever. Só deixar um comentário ou entrar no meu perfil e deixar uma mensagem brigado!

O som dos disparos ressoavam em meus ouvidos mesmo através dos protetores. A minha arma fazia um barulho estrondoso ao disparar contra os pratos lançados ao céu. Como todos os domingos desde que fiz 12 anos estávamos no clube de tiro. Lembro da primeira vez que meu pai nos trouxe aqui, quando decidiu incluir a toda a família no seu hobbie. Pouco tempo depois até mamãe, que odiava vir, passou a participar. Desde então eu, meu irmão Klaus e eles viemos aqui todos os fins de semana.

Hoje só eu e meu irmão estamos aqui. Um ano atrás isso teria sido inédito, mas parece que de uns 3 meses pra cá, isso tem se tornado um hábito. Papai sempre diz que tem alguma coisa pra resolver no escritório. Já mamãe, anda tendo umas "dores de cabeça inoportunas" como ela própria chama. Não há como negar que tenha algo acontecendo.

Depois de guardar as armas no armário e pegar minhas coisas, fui chamar Klaus para ir embora, mas ele estava numa conversa acalorada com Bianca Di Luz. Ela é nova na cidade e vem acompanhar o pai todos os fins de semana, mas não pratica tiro. E desde que chegou, tampouco meu irmão tem praticado. Tem vindo todos os domingos e passa horas conversando com ela. Seus cabelos louros quase brancos dão um ar de boneca para sua pele lisa e branquinha. Com seu 1,58 m de altura ela mal bate no ombro do meu irmão. Perto dele, ela parece uma criança. Quando havia passado cerca de meia hora que eu estava esperando em pé, eu percebi que aquela conversa não acabaria se eu não pusesse um fim a ela.

- Klaus, vamos?

- Ei, dá um tempo, tá? To conversando.

- Sim, e eu te dei um tempo a meia hora atrás. Vamos, eu to doida pra ir pra casa.

- Ania...

- Klaus, — interrompeu Bianca, sua voz era tão fininha e delicada que parecia um sopro do vento — eu também tenho que ir. Meu pai está me chamando. Mas — ela hesitou — você... Hmm... Gostaria de ir lá em casa? Qualquer dia desses.

- Mas e seu p...

- Ele não está em casa durante a tarde. — Disse ela sorrindo para ele. Ao lembrar que eu também estava ouvindo, ela enrubesceu e abaixou a cabeça. — Mas se você não puder, entendo...

- Ei, — disse ele tirando uma mecha de cabelo do rosto dela, fazendo com que ela olhasse para ele. — Eu não perderia um convite seu por nada. — E conferindo se alguém além de mim, estava olhando, ele beijou a boca dela.

Assim, ele saiu deixando um sorriso bobo em sua boca.

- O que foi aquilo? — disse ao entrar no carro — O pai dela podia ter visto aquilo. Você ficou louco é?

- Aquilo foi um beijo, e apesar do papai te prender tanto em casa, eu imagino que você saiba o que é. E não, ele não podia por que ele não estava ali.

- Ui! Ele tá irritadinho é?

- Não. É só que... — ele engoliu.

- Você gosta dela de verdade, não é? — disse olhando para ele.

Klaus sempre foi muito festeiro, brincalhão, e sua beleza contribuia para que nossa casa vivesse cheia de meninas, mas ele nunca se interessou por elas. Com quase 1,90, cabelo preto e olhos castanhos e bíceps de dar inveja, não era atoa que ele chamava atenção. Ele olhou para mim e fez que sim com a cabeça.

- Kaká tá apaixona-do! Kaká tá apaixona-do! — gritava cantarolando e batendo palmas, e ele tateava, tentando tapar minha boca com a mão. Não se aguentou e começou a rir também. Paramos e o silêncio se instalou por alguns minutos.

- Você vai mesmo na casa dele? Você vai mesmo arriscar ele pegar você com a filha dele, dentro da sua casa? Você tá lembrando que ele é do clube de tiro?

Ele riu.

Quando chegamos na rua de casa, havia duas viaturas da polícia na porta. Klaus estacionou o carro de qualquer jeito e desceu correndo entrando em casa, e eu em seu encalço. Na sala dois policiais estavam de saída, e vários colegas de trabalho de papai estavam sentados no sofá. Nenhum deles estava com uma cara muito boa. Entrei na cozinha e encontrei Saulo, o melhor amigo do meu pai, consolando minha mãe, que chorava sem parar.

Sinceramente eu não entendi nada! Porque minha mãe estava chorando? Será que ela e papai haviam brigado? Será que ele pediu a separação? Eles não andam muito bem, mais ainda sim seria uma surpresa. Das piores diga-se de passagem. Mas isso não explica porque todos os amigos de papai estão na sala. Klaus que estava na sala conversando com alguém, entra alvoroçado na cozinha quase me derrubando ao passar. Ele abraça mamãe. Ele também está chorando.

O QUE ESTÁ ACONTECENDO PELO AMOR DE DEUS?!

- Ania! Eu sin... — Lucca estava parado atras de mim. Nem o vi chegando. Ele parou de falar ao ver minha cara de consternação. Eu estava apavorada.

- Lucca, — eu consegui falar em meio aos soluços, — o que está acontecendo? Tá todo mundo chorando. Por que os amigos do meu pai tão na sala? E porque a mamãe e o Klaus tão chorando?

Ele não respondeu a nenhuma das minhas perguntas. Apenas me abraçou e ficou assim por alguns segundos. Eu fiquei calma. Era esse seu efeito perto de mim. De calma.

- Alguém já te falou alguma coisa? — perguntou ele limpando uma lágrima da minha bochecha.

Eu respondi que não com a cabeça e ele me abraçou e me puxou até as escadas de onde fomos para o meu quarto. Ele me puxou para dentro e fechou a porta para nos dar privacidade, apesar de não ter ninguém no corredor. Me sentei na cama e ele agachou na minha frente.

- Meu bem... — disse ele se apoiando em mim — Aconteceu uma coisa com seu pai...

- Ele está bem? — perguntei interrompendo ele. — Ele está no hospital né? Mamãe está indo pra lá? — disse eu levantando e caminhando até a porta. Ele segurou minha mão me impedindo de sair.

- Me solta. Eu tenho que ir com ela. — Mas ele não soltou. Ele olhou pra mim, e eu entendi tudo. Ela não ia a lugar nenhum. Ele não estava bem. E é por isso que todos estavam chorando.

- Mas eu vi ele hoje de manhã! Ele não pode... — engoli. Tentei me desgarrar do seu aperto,mas ele era muito forte. Tentei o socar mas também não adiantou. — Me solta! Deixa eu ir ver ele! Ele tá bem!

- Meu bem... Eu sinto muito.

Eu não ouvi mais nada. Meu corpo se desligou de todos os sentidos.Eu deslizei na parede até cair no chão onde me encolhi e chorei. Lucca sentou ao meu lado e me aninhou em seu colo.

Ficamos assim por minutos, talvez por horas, eu havia perdido a noção do tempo. Quando finalmente consegui parar de chorar, levantei de seu colo entrei no banheiro e me tranquei. Tomei um banho bem quente no chuveiro, escovei os dentes, penteei meu cabelo e sai de toalha para procurar uma roupa no closet.

Mesmo tendo demorado mais de meia hora no banheiro, Lucca ainda estava no quarto. Agora sentado na minha cama segurando um porta retratos. Eu tinha certeza que ele estava olhando pra foto do meu aniversário de 15 anos. Nós dois dançando valsa. Na época ele era mais baixo que eu, mas os cachos loiros e a pele dourada continua a mesma. Olhei tantas vezes para esta foto que a tinha gravada nas minhas pálpebras. Se fechasse os olhos ainda a conseguia ver.

- Tenho que te falar... — ao me ver de toalha ele se assustou. Parou por um minuto e me encarou de cima em baixo. Por fim se recuperou e falou: — Você quer que eu saia? Pra você se trocar?

Fiz que não com a cabeça, peguei uma roupa bem confortável no closet e voltei para o banheiro onde a vesti. Entrei novamente no quarto e ele estava em pé ao lado da cama.

- Você se lembra daquele dia? — disse apontando para a foto.

- Ania... — seus olhos suplicavam que eu o ouvisse. Mas eu não queria. Não podia. E não ouviria.

- Lembra? — insisti — Eu fiquei tão feliz quando você apareceu de terno e gravata. Realmente não esperava que você fosse dançar comigo. Acho que foi a melhor surpresa que você me fez. — Sorri pra ele. E ele sorriu de volta. Seu corpo inteiro se suavizou.

- Lembro sim. — Ele chegou mais perto e me abraçou.

Encostei meu nariz no seu pescoço e senti aquele cheiro que tanto me agradava e me trazia tantas lembranças. Conheci ele com 5 anos e desde então ele tem sido meu melhor amigo. Tem estado em cada momento da minha vida. E apesar de já termos dito tantos eu te amo, nunca fomos mais que amigos.

Mas era pouco. E eu me sentia livre para querer mais.

Antes que me desse conta, eu estava beijando seu pescoço, depois sua bochecha e então encontrei o caminho para os seus lábios.

A calma que antes sua presença me trazia, se transformou em desejo. E eu o puxei para mais perto. Ele retribuiu passando uma mão pelos meus cabelos, a outra prendendo minha cintura perto de seu corpo. Sua boca que era tão suave foi se tornado cada vez mais ávida.

Caminhei na ponta dos pés, o arrastando para perto da cama, onde caímos. Ele subiu a mão em meus braços e encontrou minhas mãos, puxando e prendendo-as com as suas acima da minha cabeça. Ele separou os lábios dos meus e parou por um instante. Seus olhos estavam cerrados, e aquela ruguinha no meio de suas sobrancelhas se formou. Sua boca estava a poucos centímetros da minha, mas parecia estar a quilômetros de distância. Tentei beijá-lo mais uma vez, mas ele se afastou.

- Para. — ele disse ainda com os olhos fechados. Ele estava ofegante. — Não podia ser assim. Eu não...

- Você não...

- Eu quis isso por tanto tempo. Você. Eu quis você por tanto tempo. Mas eu nunca tive coragem. E agora... Eu tenho. Mas não posso, não assim. E não depois de tudo que aconteceu hoje.

Ele abriu os olhos. Eram de um azul claro quase cinza. Ele encostou a testa na minha por alguns instantes. E por fim eu falei.

- Tudo bem.

Ele rolou de cima de mim e deitou ao meu lado. Eu encostei a cabeça no seu peito e ele fez carinho nas minhas costas até eu dormir.

Acordei e ele não estava lá. Eram 6:35 da manhã. Levantei, escovei os dentes e pus uma roupa melhor. Ao caminhar pelo corredor, percebi que não tinha ninguém mais acordado.

Isso significava muito tempo para pensar, e essa era a ultima coisa que eu queria fazer. Entrei na sala que ainda mostrava vestígios das pessoas que passaram na noite anterior. Resolvi me manter ocupada, retirando os copos sujos, os pratos e as bandejas espalhadas. E quando não tinha mais nada a se limpar, recorri ao conforto da TV ligada.

- " Dr. Rafael Calabro, delegado federal, é encontrado morto em seu escritório após cometer suicídio. Seu corpo foi encontrado pendurado por uma corda no ventilador. Há suspeitas que ele sofria de depressão..."

Suicídio.

A palavra demorou de entrar na minha cabeça, e ainda mais para ser compreendida. Meu pai jamais faria uma coisa dessas. Não ele. Será?

Mas uma coisa me veio a mente. Papai, depois do jantar me chamando em seu escritório. Na época eu não entendi muito bem, mas agora tudo fazia sentido.

- Ania, eu preciso lhe contar uma coisa que você não vai entender agora, talvez nem entenda depois, mas eu preciso confiar este segredo a alguém. — Se é tão importante, e eu não vou entendê-lo, por que não o conta para Klaus? — Por que não é uma questão de entender ou não. É uma coisa que eu quero que você guarde aqui — e ele apontou para a própria cabeça. — seu irmão é curioso demais para isso. Ele iria atras, e não é isso que quero. Quero somente que você se lembre do que vou te falar. "Uma coisa grande está para acontecer, e eu estou no meio dela. Caso eu não possa estar aqui, tem uma coisa que garante que você, seu irmão e sua mãe fiquem bem. É uma coisa pequena, bem simples, e aos olhos de quem o procura, parece ser insignificante. Mas você vai saber onde está. E vai saber o que é. Por que a chave para encontrá-lo é o dia do seu nascimento."

Na época eu não entendi nada. Para falar a verdade, ainda entendo muito pouco. Mas uma coisa eu tinha certeza: meu pai não cometeu suicídio.

Não porque ele prezava demais a família para isso, ou porque pensou no nosso sofrimento. Mas porque ele estava no meio de um grande caso. Talvez o maior de toda sua vida, e nada o faria abandoná-lo. Isso só provava a minha segunda certeza: Alguém quis calá-lo. Alguém assassinou o meu pai.

Notas finais
Obrigado por ler, já já tem capítulo novo
Se você encontrou algum erro de português, se você acha que alguma coisa deveria ser rescrita ou se quiser dar alguma sugestão eu aceito ok? Obrigado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.