Notas iniciais
Acabei demorando pra postar, e, desculpe, mesmo que praticamente não tenha leitores, não devia ter demorado tanto pra postar um capítulo já pronto. Enfim, espero que gostem!

Kaila Prising era a típica garota atípica.

Viera de uma família pobre, mas aparentemente feliz. O pai, que era pedreiro, sempre lhe trazia livros, não importando a condição financeira no momento. Sua mãe era garçonete num restaurante na esquina, propositalmente perto de casa, era altamente preocupada com a filha única.

Para Kaila, ela vivia em um doce mundo de fantasia, cercada pelos livros e afeto dos pais. A casa era modesta, já que o casal Prising colocava a filha sempre em primeiro lugar, investindo em sua educação. Sabiam como a falta dela era desesperadora, e planejavam um futuro melhor à sua criança.

Kaila correspondia às expectativas, mesmo pequena, era estudiosa e aprendera a ler desde cedo, por influência de seu pai. Era paparicada em dobro por causa de sua aparência exótica: os belos olhos lilases e a pele acobreada.

A sorte parecia ter lhes sorrido quando o sr. Prinsing investira em uma desconhecida empresa, que, em questão de meses, cresceu anormalmente, virando uma das gigantes do ramo. Os poucos dólares do pai de família, viraram milhões, e, com prudência, o homem continuou a investir, construindo sua fortuna.

A casa da família Prising foi substituída por uma enorme, que Kaila, pessoalmente, odiava.

Os corredores eram longos e amplos, assim como os diversos quartos, a menina sentia um vazio melancólico se alastrar pelos cantos, permeando os suntuosos móveis.

O silêncio era aterrorizante.

Sua pequena e barulhenta casa se fora, assim como sua sensação aconchegante. Os pais nunca estavam em casa, e seu único consolo e porto seguro era a biblioteca.

As gigantescas e majestosas estantes eram convidativas, e os livros lhe remetiam aos tempos que, apesar de próximos, pareciam intocáveis e distantes, quando a casa era preenchida pelos sons da máquina de lavar, do roçar das cortinas ao vento, da mãe preparando o jantar, do pai tirando as botas pesadamente depois de voltar do trabalho.

Os sussurros das páginas virando acalentavam-na, livrando aquela solidão da garotinha. Havia quem cuidasse dela, claro. Mas os empregados davam a ela uma sensação de perdida, então ela preferia enfurnar-se na biblioteca.

Mas ao menos, Kaila sentia que os pais estavam felizes apesar de tudo, nas poucas vezes que jantavam juntos, os mais velhos sorriam e perguntavam-lhe bastante coisa, para logo depois começar a debater sobre negócios até que as pálpebras da pequena pesassem e ela dormisse em cima da mesa.

Tudo mudou de uma vez só.

A senhora Prinsing morreu atropelada e, sem dar tempo para a família chorar ou mesmo respirar, as ações da empresa caíram repentinamente, do modo que antes tinham subido, e faliu.

Kaila percebia que havia algo de errado com seu pai, o que a tornava ainda mais insegura, com seus 7 anos, não conseguia absorver tudo: a morte da mãe, o sumiço dos empregados, a mudança. o pai, que, embriagado, variava de enfurecido a choroso, os sentimentos como uma montanha russa.

Parara de ir à escola e mal podia imaginar a enrascada em que seu pai estava.

Estava devendo mais do que ganhara em toda sua antiga e modesta vida. E descontrolou: gastando o dinheiro que não tinha, bebia o dia inteiro, esperando o fim.

Kaila ficava trancada no quarto o dia inteiro, tinha medo do forte cheiro de álcool que o pai emanava, dos seus acessos de raiva, de seus desmaios.

Sentia uma imensa saudade dos livros de sua casa, não tinha nada pra fazer naquele cubículo.

Foi aí que começou a escrever.

Como uma tentativa de afastar os tempos difíceis, escrevia com letras infantis pequenos contos, com experiências que teve com os pais. Os personagens eram devidamente substituídos por animais: ela, uma ovelha, a mãe, uma ursa, e o pai, uma coruja. Kailka nunca soube ao certo o porquê de ter escolhido esses animais, mas também nunca contestou.

–-x--

Kaila estava, como sempre, escrevendo no seu quarto quando um homem velho, robusto e desconhecido irrompeu seu quarto. O estranho agarrou seu pulso com grosseria e a arrastou para fora.

A menina berrou, esperneou e chutou o homem com tudo que tinha, esse se limitou a lhe dirigir um sorriso sádico.

Kaila, ao ser levada para sala, procurou seu pai com os olhos, encontrando-o dormindo no chão, pressionado contra a parede e, nas mãos, uma garrafa de bebida vazia. A filha gritou por socorro, tentando se desvencilhar do velho grandalhão. Sr. Prising não demonstrou reações, mas Kaila sabia que não estava morto por causa de sua respiração pesada.

E também sabia que seu pai não estava desmaiado por causa dos invasores, não tinha motivos para ter essa certeza, mas sabia.

Quando seu olhar pousou na mesa no centro do pequeno cômodo, sentiu lágrimas escorrerem pelo seu rosto, sem ela saber ao certo o porquê;

A visão da maleta preenchida por enormes maços de dinheiro a fizeram se sentir traída, sem nenhum razão concreta, sua infantil mente de 7 anos não conseguia entender.

Mas, por algum motivo, seu coração entendia.

Entendia o que, depois de alguns anos, a mente de Kaila assimilou.

Entendia que fora vendida

–-x--

Não é nem preciso dizer que as coisas não melhoraram a partir daí. Mas ela nem sabia o que a esperava após seus 12 anos.

Antes de completar "a idade certa", Kaila era obrigada a brincar com o filho do homem belho que a raptara. O pai era apenas chamado de Upper, o menor, era, criativamente, Upper Jr..

Upper Jr. era 10 anos mais velho que Kaila e realmente não via o motivo de ter que brincar com Kaila tanto quanto ela, afinal, ele não era mais criança.

Tampouco ousava desobedecer seu pai, que ordenara estritamente ao menor que ele tinha que brincar com Kaila.

Na mente um tanto quanto perturbada de Upper, Kaila era um presente, um bichinho de estimação para seu filho, e realmente achava que o mesmo gostava da situação. E os tratava como tal.

De algum jeito, enquanto crescia naquele ambiente doentio, os princípios de Kaila não foram afetados. Não conseguia ainda entender ao certo o que acontecera, mas também já não importava, era como se fossem acontecimentos distantes.

Sabia que era tratada como um cachorrinho de estimação na "casa nova" e odiava isso. Odiava Upper, com ou sem Jr..

Ficava aliviada quando podia voltar ao quarto — um minúsculo cômodo 4x4 — e escrever, escondendo as folhas no forro da parede. Não podiam descobrir.

Mas foi no dia que completou 12 anos que soube que seu futura já fora decidido.

Mandaram ela para uma escola no exterior, que tinha, como fachada, um internato religioso.

Lá, ela aprendeu a coisa mais repugnante do mundo.

Aprendeu a matar.

–-x--

Kaila, no começo, se recusou, trancava-se no quarto, fugindo.

Como se a vida fosse tão fácil assim...

Toda vez que a menina se recusava a mesmo pegar a arma, os professorem a puxavam pelo cabelo e a derrubavam no chão, onde recebia chutes até desmaiar.

O caso mais grave que aconteceu foi quebrar 2 costelas, quando um instrutor não maneirou na força. A política do colégio era bater em qualquer um que se recusasse a "participar das atividades" o suficiente para passar várias semanas dolorido, mas sem fraturas ou lesões graves: colocar um aluno em um hospitar atraía suspeitas e era um desperdício de dinheiro e tempo.

Para Kaila, ser espancada era o de menos, não se perdoaria se tirasse a vida de alguém.

Alguns alunos do internato a olhavam com desprezo, tacando-a de graca e medrosa, por não ter coragem de matar. Kaila concordava que tinha medo, mas mais repulsa do que medo de matar alguém, considerava nojento e egoísta, desnecessário.

Já o resto dos alunos a olhavam com tímida admiração: a menina nunca sucumbira aos espancamentos e não matou nem mesmo uma mosca. Respeitavam-na por não abrir mão de seus ideais, e invejavam sua coragem.

Mas sabiam que nunca teriam a mesma.

Alguns mais velhos olhavam com nostalgia e pesar, não demoraria para que aquilo acontecesse com ela.

E, realmente, aconteceu.

Um mês após entrar no internato, Kaila foi chamada para o gabinete da diretora.

A diretora era uma senhora de aparência normal, até bondosa. Kaila sentiu asco ao lembrar que essa era a mulher que comandava toda a crueldade escondida atrás dos muros do colégio.

Absorta em pensamentos, Kaila tomou um susto quando a diretora falou em tom monótono:

– Srta. Prising. Soube que você não está participando de nossas atividades.

Era uma afirmação, mas Kaila percebeu que a mulher queria uma resposta. Com a garganta seca, a menina somente acenou levemente com a cabeça, concordando.

– Preferimos não fazer isso, senhorita Prising, mas lembre-se de que não necessitamos de alunas inúteis aqui. — Apesar de continuar com o tom de voz desinteressado, os olhos da velha brilharam.

A porta do cômodo se abriu, e, como que ensaiado, dois brutamontes gigantescos entraram na sala, ostentando sorrisos cruéis.

– A escolha é sua, Srta. Prisingo, ou participa das atividades, ou nos livramos de você. Se é que me entende...

Maldita velha! Era o tipo de pessoa que manda assassinarem alguém como se estivesse pedindo uma pizza.

Kaila olhou bem os grandes homens por cima dos ombros e seu olhar repousou nos facões que tiraram de lugar nenhum.

"A escolha é sua, Srta. Prising"

Notas finais
Então, povo, espero que tenham gostado! Qualquer dúvida, erro, sugestão, é só falar ♥ Ah, gente, era uma família pobre, mas não estou desvalorizando nenhuma das profissões dos pais, ok? Até pq pedreiros faturam altas granas, enfim, vocês entenderam hahahaha Meu Deus, que história clichê depressiva, daqui uns capítulos coloco um pouco de açúcar! ~Beijinhos de Luz~