À Espera De Você...

5 Velhos conhecidos


Notas iniciais
Olá! Demorei um pouquinho, mas to aqui de novo! Nesse cap já estamos no Brasil, um pouco da vida dos antigos conhecidos será mostrada. Espero que gostem! Beijos! :D

– Miguel! Sua mãe chegou!

Gritou Morgana enquanto Fatinha entrava no apartamento que a ruiva dividia com o marido, Álvaro Gabriel, vulgo Orelha.

– Desculpa a demora, Morg! É que foi um sacrifício encontrar um táxi, e ainda tive que fazer algumas compras lá para casa.

– Tudo bem, Fa! Eu adoro ficar com o meu afilhado e aproveitando já treino pra quando essa menininha aqui nascer. – Morgana sorriu ao passar a mão pela barriga de sete meses de gestação.

A Moranguinho e Orelha estavam casados há três anos e esperavam o primeiro filho, no caso, filha: Gabriela. Chamada assim em homenagem ao pai coruja que não cansava de mimar a esposa e a bebê por nascer.

– Você vai ser uma ótima mãe! Pode apostar que sim. E cadê o meu compadre Orelha? Espero que não esteja confundindo a cabeça do meu filhote com todo aquele papo high-tech!

As duas riram. Álvaro Gabriel tinha aberto a própria empresa de softwares – A HiMor Enterprises – e adorava conversar sobre os futuros projetos, mesmo que fosse com uma criança de seis anos. Às vezes isso irritava Morg, mas ela não conseguia ficar muito tempo com raiva do seu marido, já que ela também adorava falar sobre os livros que escrevia. Juntos, os dois formavam o mais improvável casal: Ele, lógico. Ela sempre perdida nas tramas fantásticas de seres encantados que criava. Mas como dizem que os opostos se atraem, eles eram completamente apaixonados um pelo outro.

– Não, pode ficar despreocupada. O Meu maridinho foi no aeroporto buscar o Fera. Sabe como aquele lá é, né? Dirige igual a um maluco e para evitar problemas pediu que o Álvaro – Só Morgana o chamava assim, além do ex-diretor Mathias – fosse buscá-lo.

– Sério? Pensei que o Fera fosse ficar mais tempo lá em Miami... – Fatinha sorriu distraída, fato que não passou despercebido por Morg.

– Hum... Que sorriso bobo é esse, Maria de Fátima? Bem que eu tava desconfiada!

– Pirou, foi? Não tem sorriso bobo nenhum! – Disfarçou a Loira corada.

– Não precisa ficar assim, Fatinha! Eu dou total apoio para vocês... Ate notei a forma como ele tem te tratado, a gentileza... Sem falar que o Fera é um GATO!

– Esqueceu que eu sou casada?! – Exasperou-se Fatinha.

Morgana parou de sorrir e seu olhar ficou triste. A ex Periguete arrependeu-se pela sua rispidez.

– Desculpa, Morg... É que eu to cansada, sabe? É tanta coisa na minha cabeça, e hoje eu estive lá no hospital e... Droga, eu odeio essa situação!

– Eu também detesto Fatinha, mas não podemos fazer nada... O que o médico disse?

– Falou o de sempre – Fatinha jogou-se no sofá e Morg sentou-se ao seu lado – Que não há mudanças no quadro, que tudo o que podemos fazer é esperar e todo aquele papo de paciência! Mas acontece que eu to esperando há quase dois anos, Morg! E tudo permanece igual, nada muda! Toda vez que eu entro naquele quarto e o vejo daquele jeito... Não é justo!

“Sempre chorando por quem não vale a pena! Nunca vai crescer Fatinha?”

Fatinha lembrou-se de uma das muitas vezes que o amigo a repreendia por chorar. Mas Dinho estava enganado. Ela cresceu e se chorava é porque ele valia a pena. E as lágrimas que derramava eram apenas o reflexo dos sentimentos que tinha por ele, ela o amava.

Fatinha repreendia-se por esse ataque na frente de Morg, mas agradecia pelo filho não tê-la visto dessa forma. Miguel, apesar da pouca idade, era muito esperto e vê-la naquele estado só lhe traria problemas. Ela não escondeu o que aconteceu com o pai do garoto, mas ele ainda era uma criança e esse tipo de assunto era difícil. Se já era ruim para os adultos imagine para um garotinho?

– Não é justo... Mas eu tenho fé! Fé de que ele vai voltar para nós!

– Eu também tenho... Se não fosse o Miguel, você, o Orelha e o Fera não sei o que seria de mim, viu? Por isso que não me canso de dizer: AMO MUITO VOCÊS!

As mulheres abraçaram-se emocionadas ate que uma voz infantil as fez separarem-se.

– Mamãe?

– Oi, amor! Vem cá! – A Loira estendeu os braços para o garotinho vestido com a fantasia do Homem-Aranha.

– Por que você e a dinda Morg tavam chorando? – Questionou o menino vendo os olhos marejados da mãe.

– Porque eu e sua mãe somos duas bobonas e achamos que o sorvete tinha acabado, mas advinha só: Tem um potão lá na geladeira! Quer um pouco?

– Claro! De morango que é meu favorito! Te contei que o meu pai também adora sorvete de morango, dinda?

Fatinha sorriu agradecida para Morgana enquanto ela ia para cozinha seguida de Miguel. Com alguns minutos para recompor-se, a Loira pode respirar aliviada depois do seu repentino acesso de choro e foi quando ouviu a campanhia tocar. Sem demoras, correu para atender.

– Esqueceu a chave de novo, Orelha? – Questionou a Loira rindo já recuperada.

– É que eu tava com pressa e esse cara tava louco pra vir aqui em casa! E não me pergunte o porquê, tá? Só sei que foi eu falar que senhorita estaria aqui que o nosso Massafera deu esse súbito ataque de saudades!

– Não liga para o que esse orelhudo tá falando, não! Oi Fatinha! – Fera abraçou a mulher, enquanto Orelha seguia para a cozinha.

– Não se preocupe, nem ligo mais pro que esse daí fala! – Ela riu – Então, como foi a viagem? Pensei que fosse demorar mais! Senti sua falta!

– Também senti! Pensei que seria preciso ficar mais, mas não consegui aguentar de saudade e trabalhei dias sem parar só pra chegar mais rápido.

Os dois seguiram para o sofá e sentaram-se. Podiam ouvir os risos vindos da cozinha, e vozes conversando sobre duendes e chips de computadores.

– Esses dois não mudam, né? Nunca vi casal mais atrapalhado que o Orelha e a Morg!

– Eu também, mas fazer o que, né? Nós amamos aqueles dois!

– Assim como amo você. – Falou Fera com a voz insinuante.

Fatinha corou e tratou logo de mudar de assunto.

– Então, como foram as coisas lá em Miami? Conversou com o Mário e a Alice?

O homem de boa aparência suspirou. Fatinha olhou-o fascinada pela sua beleza. Desde a época do colégio que Frederico Massafera era um dos garotos mais bonitos que ela já conheceu, e apesar do seu jeito dispersivo – O que na verdade era sintoma do DDA – ela sentia-se bem em sua companhia. Com vinte cinco anos completos, Fera era um bem sucedido empresário financeiro com uma considerável fortuna. Os tempos de ‘bobão’ da turma ficaram para trás e deram lugar ao homem maduro a quem ela tanto admirava.

– Eu conversei com eles sim... Falei sobre como anda o quadro do Dinho, as opiniões dos médicos. Não foi fácil, a Alice chorava sem parar, o Mário parecia desolado... A irmã dele nem sabe o que se passa. Acho que com o passar do tempo, eles começaram a dar-se por vencidos. Eu não os culpo, sabe? A forma como tudo aconteceu foi bem traumática.

– É... Da ultima vez que ele vieram para o Rio eu também notei o cansaço no olhar dos dois. Queria poder fazer alguma coisa, ser mais forte. – Fatinha abaixou a cabeça.

– Hey, você é mais forte do que pensa, viu? – Fera ergueu o rosto da Loira com as mãos.

Foram alguns segundos elétricos enquanto eles perdiam-se no olhar um do outro.

– Mamãe!

Fatinha rapidamente cortou a ligação e voltou-se para o filho que chegou como um furacão na sala.

– Oi! Algum problema?

– Não... A dinda mandou perguntar se você quer sorvete, mas acho que ela queria me tirar da cozinha pra beijar o tio Orelha. Oi tio Fera!

– E aí, garotão! Cadê meu abraço?

O menino correu e foi enlaçado pelos braços fortes de Fera. Fatinha sorriu comovida com a cena, ainda surpreendia-se como aqueles dois davam-se bem. Depois de Dinho, Fera era o homem com quem Miguel mais tinha afinidade.

– Filho, pega sua mochila que a gente já vai!

– Já? – Perguntou o menino fazendo bico.

– Já, sim! – Ela riu – Vamos rápido que ainda tenho que preparar o jantar.

Miguel fez o que a mãe mandou e foi direto para a porta.

– Tchau Morg e Orelha!

– Vamos, eu acompanho vocês! – Se ofereceu Fera.

– Não precisa... – Fatinha estava pronta para recusar.

– Nada disso, precisa sim! Vamos Maria de Fátima!

Os três saíram e pegaram um táxi na rua. Em poucos minutos, chegaram ao antigo bairro onde Dinho morava com os pais, onde ficava o Misturama e o Quadrante. Na porta do prédio, Fatinha cumprimentou Severino – ainda porteiro do edifício vizinho – e preparou-se para despedir-se de Fera.

– Tchau, Fera! Mas eu disse que não precisava.

– Miguel, pergunta que horas são lá pro Severino.

– Pra quê? – Indagou o garoto confuso.

– Para eu poder fazer uma coisa que há muito tempo eu tenho vontade.

O menino não entendeu muito bem, mas atendeu ao pedido do tio postiço e foi conversar com o porteiro deixando a Mãe e ele a sós.

– Por que você fez isso? Tem um relógio no seu... – As palavras de Fatinha foram interrompidas quando Fera selou seus lábios num beijo apaixonado.

Sendo enlaçada pelos braços masculinos, Fatinha se entregou , por alguns instantes, aquele prazer que era beijar o homem que era mais que um amigo. Porém, a lembrança de onde estavam, de Dinho e do filho ali tão perto a fez recobrar a consciência.

– Fera, o Miguel pode nos ver! – Com pesar, ela desvencilhou-se do amigo.

– Tá, tudo bem... – Fera suspirou satisfeito – Foi melhor do que eu sonhava! Desculpe, mas como eu disse, eu precisava fazer isso!

POV Fatinha On

Minhas pernas ainda estavam bambas pelo beijo do Fera. Meu coração parecia um tambor de tão rápido que batia e meus lábios inchados demonstravam o quanto eu havia participado daquele ato. Eu não sou ingênua, e há algum tempo notei o interesse dele por mim. Porém não pensei que ele fosse capaz de fazer o que fez. Ali, na frente do meu prédio com o Miguel tão perto. Não que beijá-lo fosse algum crime, mas a situação que vivíamos era delicada. Entretanto, ainda assim, eu estava surpresa e positivamente contente.

Miguel logo retornou e após nos despedirmos do ‘Tio Fera’, seguimos para o nosso apartamento. Mandei meu filho direto para o banho e fui para a cozinha deixar as sacolas com compras. Fazia bastante tempo que não era beijada daquela forma. Para ser sincera, nem me lembrava mais como era ter essa sensação de ser desejada por um homem, mas nos braços do Fera me senti viva novamente.

Esquecendo-me do ocorrido, por enquanto, comecei a preparar o jantar.

Notas finais
Fatinha + Fera? É isso mesmo, produção?! ¬¬ Hum... Sinto cheiro de mistério. Fatinha ama Dinho, mas deixou-se ser beijada por um amigo... Complicação a vista! Gostaram? Comentem! Semana que vem tem mais! Beijos!